Finalmente um filme bom de Copa! Já estava me acostumando a cortar os pulsos, como quase todo publicitário brasileiro honesto, toda vez que vejo o filme de Nike, “Write de Future” – estupidamente bem dirigido pelo mexicano Alejandro Iñarritu. Cada vez que vejo o filme penso que nunca jamais na história desse país faremos algo minimamente à altura dele. Porque, de fato, nunca fizemos. E duvido sinceramente que um dia façamos. Pelos inúmeros motivos que já estamos cansados de discutir (custo, prazo, mercado, cliente, talento, bla bla bla). Mas temos cinema nesse país. E bons diretores. E às vezes eles tem oportunidade de mostrarem o seu trabalho. E o seu talento. E o Brasil, pasmem, a sua capacidade de produção. Mas o filme tem outra pegada, claro. É um filme humano, emocional. Muito mais apropriado pra se fazer aqui, com os talentos nacionais, que o filme do Iñarritu. Talvez não se faça jamais no Brasil filmes como esse da Nike. Mas talvez também não se faça jamais na gringa filme como esse da Vivo. No mínimo porque na gringa não tem o Pelé…
Posto também o filme da Nike. Nunca é demais…
direção Luciano Moura e Nando Olival, fotografia Ricardo Della Rosa e Adrian Teijido, produção O2, trilha Tentáculo, criação Y&R
direção Alejandro Iñarritu, fotografia Jeroen van der Poel, produção Mokkumercials e Independent Films, criação Wieden + Kennedy
FIlme lindo dirigido pelo meu ídolo Dorian Taterka, o Dodi. Pouquíssimos diretores no Brasil tem a sensibilidade e o talento pra dirigir atores e registrar pessoas como ele. Basta lembrar dos filmes de McDonald’s dirigidos por ele que marcaram uma época – a minha época inclusive, quando eu sonhava em fazer filmes e dirigir atores tão bem como ele. Pena que hoje em dia ele dirija tão pouco e se dedique mais a cuidar da agência, a Taterka, que atende as contas de Natura e de McDonald’s, clientes fidelíssimos que devem ter dado a conta pra ele em reconhecimento ao brilhante serviço prestado durante anos a fio. Fico imaginando ele lá na poltrona de dono da Taterka, conferindo um roteiro novo da criação e dizendo: “Peraí, peraí! Esse aqui é minha cara! Esse aqui eu dirijo!” Daí, ainda na minha fantasia, ele sai da sala de vidro onde está escrito “melhor diretor de atores de todos os tempos no Brasil” e grita pra criação: “Rufem os tambores! O patrão vai pro set!” …E lá vai ele esbanjar seu talento pra que nós, modestos seguidores, possamos aprender mais um pouquinho cada vez que o gênio dá o ar de sua graça no intervalo do Jornal Nacional…
direção Dorian Taterka, fotografia Marcelo Durst, produção TVC, trilha Friends, criação Taterka
Fazia tempo que eu não via um bom clipe de música feito por um diretor de publicidade… Durante muito tempo boa parte das referências que buscávamos estavam nos clipes, feitos com liberdade e criatividade. Mas, desde que a MTV deixou de ser vitrine dos bons clipes nacionais, diretores e gravadoras perderam um pouco a vontade de realizar clipes com produções caras e bem cuidadas. Hoje investe-se mais no DVD, que tem carreira própria e é um produto vendável e lucrativo – ao contrário do nosso velho clipe que tem um aspecto mais “promocional” que comercial. Antes, diretores e produtoras se matavam pra fazer um clipe com qualidade muito acima do que as verbas permitiam, pra ter a chance de se mostrar pro mercado sem as amarras naturais que agência e cliente impõe aos comercias e de lambuja ainda corriam o risco de aparecer bem na foto em cima do palco do VMB. Hoje todos pensam duas vezes antes de investir tempo e dinheiro na produção de um clipe bem realizado e criativo. Todos? Não, nem todos. Alguns diretores ainda são inquietos o suficiente pra convencer suas produtoras a disponibilizar técnicos, equipamento e um tanto de grana pra que eles consigam realizar algo fora da rotina, fora do protocolo. Bom pro diretor e pro mercado, que tem aí uma maneira de ver até onde o talento desses diretores pode chegar sem correr o risco de perder um cliente…
Bom, a música desse clipe é um sucesso estrondoso no show que Marisa Orth vem fazendo pelo Brasil no último ano. Sua interpretaçao almodovariana pra música ainda mais almodovariana do André Abujamra e do Flávio de Souza, encontrou a sua traducao perfeita nas mãos da Ivy Abujamra. Insanidade Temporária é delicioso de ver, ouvir e, atenção publicitários, se refenciar!
direção Ivy Abujamra, fotografia Heloísa Passos, arte Clô Azevedo, produção Bossa Nova Films, música André Abujamra e Flávio de Souza
Você viu “Adaptação”, certo? Filme escrito pelo Charlie Kaufman e dirigido por Spike Jonze, mesma dupla de “Quero ser John Malkovich”, filme que revelou ao mundo a turma de cinema mais legal da atualidade. Uma gente que se espalha e se reveza nas fichas técnicas dos filmes que de fato trouxeram uma lufada de ar fresco ao cinema contemporâneo. No espetacular roteiro de “Adaptação”, o personagem que é um roterista genial (o próprio Kaufman) está em crise com o roteiro que está escrevendo e recorre ao irmão gêmeo que é roteirista amador (personagem fictício) e segue os preceitos do professor de roteiros Robert McKee, que o irmão roteirista genial em crise classifica como fórmula e sucessão de clichês. Mas no final ele mesmo recorre a McKee e o filme reforçou em mim a crença de que é ótimo e necessário tentar ser original e genial, mas é bem proveitoso conhecer os preciosos ensinamentos de McKee, mesmo que seja pra depois esquecê-los e virar de fato um gênio original, mas um gênio original com base.
Bem, Robert Mckee está no Brasil com seu Story, seminário de quatro dias em que ele fala pelos cotovelos, não deixa ninguém dar um pio e cobra multas de dez dolares do dono de cada celular que tocar no meio da aula. E, naturalmente, nenhum celular toca. O homem é um show-man, tem uma voz encantadora e consegue manter uma platéia absolutamente atenta ao seu charme por quatro dias seguidos, por dez horas ininterruptas a cada dia. Bem, não sou exatamente uma roteirista, mal saí das fraldas nesse sentido, mas posso dizer com a certeza dos inocentes: o curso é ótimo. Fiz esse Story workshop do McKee em São Francisco/California dois anos atrás e posso garantir que vale muito a pena.
McKee se gaba de ensinar sobre forma, não sobre fórmulas. De fato, é o que ele faz ao passar os olhos por mais de 100 filmes de diferentes gêneros, épocas e estilos. Mas, no final, querendo ou não, isso tudo colocado em linha, em forma de seminário, livro ou audiobook, acaba realmente fazendo o papel de fórmula – e você se lembra disso cada vez que abre o utilíssimo livro dele pra lembrar em que página mesmo deve acabar o primeiro ato ou quantos minutos o filme ainda pode ter depois do clímax do terceiro ato. Mas isso, longe de ser um problema, é uma benção. Sempre achei que pra se destacar em qualquer coisa é preciso primeiro conhecer muito bem o que já se sabe por aí, pra então dar o seu pulo do gato e tentar superar o que já foi feito. Existem naturamente gênios brutos, que se alimentam exclusivamente de sua mente, sem influências externas nem conhecimento histórico. Gente cuja mínima manisfestação de genialidade revoluciona o mundo até então conhecido. Claro que existe, mas são poucos e raros. Me parece muito mais provável que um novo talento se disponha a estudar o que já se conhece e, em cima disso, seu gênio arrebente a portinha da gaiola e esparrame seu talento pelo mundo.
Especialmente bom no curso é o ultimo dia, quando McKee projeta e disseca cada pedacinho de Casablanca, cena por cena. E não há como não se encantar por aquilo, aquele filme, aqueles atores, aquele roteiro incrível e aquele homem charmoso demonstrando beat por beat todos os pontos e argumentos que ele levantou durante os quatro dias de curso. E na saída, pra vender, está o roteiro de Adaptação com comentário de Robert McKee. O roteiro é praticamente a antítese de Casablanca, assim como Charlie Kaufman é praticamente a antítese de Robert McKee. Adaptação é um filme tão dúbio que ao mesmo tempo tira um sarro e presta uma homenagem a esse estudioso que é o avesso da moeda de Charlie Kaufman, o gênio que arrebentou a portinha da gaiola. Entre o sarro e a homenagem, McKee escolheu ficar com a homenagem… Muito propriamente.
Mais informações sobre o workshop de McKee no Brasil aqui.
E a entrevista que ele mesmo usa no site de divulgação do seminário, bem ilustrativa:
Gravei minha coluna de TV no deserto do Atacama, pensando em como seria lindo se a gente conseguisse filmar mais nos incríveis cenários que ficam a pouquíssimas horas de distância…
Filme delicioso do Rodrigo Pesavento pra Renault. Bem feito, bem dirigido e com o protagonista muitíssimo bem escolhido. Cauã Reymond convence como ator e como surfista, além de ser lindo e carismático. A escolha do diretor também não poderia ser mais pertinente, parece que dá pra ver o skatista Pesavendo se divertindo em filmar cada uma das cenas do ator surfando sobre o carro. E, enquanto desfrutamos das manobras e performance do surf rodoviário, acabamos por absorver as manobras e performance do carro. Esperto. E bom.
direção Rodrigo Pesavento, fotografia Ralph Strelow, produção Zeppelin, finalização Tribbo Post, trilha Apolo 9, criação Neogama/BBH
Já falei algumas vezes (aqui, aqui e aqui) do 3%, um dos 8 finalistas do FICTV/Mais Cultura, uma realização da TV Brasil, Ministério da Cultura e Sociedade Amigos da Cinemateca. Dos 8 pilotos, 3 serão escolhidos para virar série de 13 episódios. O piloto ficou bom, muito bom, bom pra caramba. Sempre fui muito otimista em relação a esse projeto e sempre botei muita fé nos meninos do Manada, que criaram e e dirigiram o 3%. A Maria Bonita se mobilizou integralmente pra que o piloto ficasse com a qualidade impressionante que a gente vê na tela. Uma equipe de primeiríssima linha, autores e diretores jovens, talentosos e dedicados, e uma produção impecável. Vale a pena ver. No site do projeto dá pra ver o piloto (numa qualidade que, infelizmente, prejudica bastante a apreciação do episódio…) e também dá pra votar. Dia 15/04 passa na TV Brasil às 18:30. E dia 20/04 saberemos se o 3% estará entre os 3 projetos que virarão série. Não tenho dúvida nenhuma sobre a qualidade artística e técnica do 3%. Já o considero há muito tempo um projeto vencedor. Tomara que role!
@pmachline Iphone LG Prada... uma coisa bonita, de bom gosto...texto teste1 month ago
Ahã, o seu não parece um LG, né? RT @pmachline o iphone 4 da @lopoliti veio com defeito... o meu não!texto teste1 month ago
O Iphone 4 parece um LG, é pouquíssimo anatômico e, ao atender o telefone, a mão tapa o receptor, o sinal diminui e a ligação cai. Bom, né?texto teste1 month ago
hoje no blog - Filme da Semana - 1284 - O último gol do Pelé - Vivo -http://lopoliti.com/texto teste1 month ago
No blog o comentário sobre o melhor filme brasileiro de Copa até agora: 1284 - O último gol do Pelé - Vivo - http://lopoliti.comtexto teste1 month ago