Arquivo de setembro \29\UTC 2009

Orgulhosíssima! Raça Síntese de Joãosinho Trinta no Festival do Rio e na Mostra de Cinema de São Paulo.

Estou orgulhosíssima de fazer parte da produção do documentário longa-metragem A Raça Síntese de Joãosinho Trinta, dirigido pelo Paulinho Machline e Giuliano Cedroni. O doc é um delicioso e emocionante aperitivo pro longa ficção que o Paulinho vai filmar no ano que vem e que, assim como o doc, conta a história de um cara inacreditável, um personagem ícônico fortíssimo que compõe o nosso imaginário, a nossa arte, a nossa estética. O filme estréia no domingo dia 4 no Festival do Rio, no Odeon, com a presença do Joãosinho e, espero, do Rio de Janeiro inteiro, que tem a oportunidade de prestar homenagem a quem mais contribuiu na história pra colocar o carnaval do Rio no lugar a que um dia chegou. Joãosinho tem 75 anos e vive em Brasília, longe da avenida que o consagrou. Espero de coração que a cidade retribua pelo menos em parte tudo que ele fez pelo Rio e pelo carnaval e que compareça em peso pra ver o rei do carnaval no tapete vermelho do Cine Odeon. Por enquanto divido com vocês o lindíssimo cartaz com foto feita especialmente por Vik Muniz.

Trinta_baixa

direção Paulo Machline e Giuliano Cedroni, produzido por Maria Bonita Filmes e Primo Filmes, produção Paulo Machline, Joana Mariani e Lô Politi, prod executiva Joana e Lô (com Aza Pinho), montagem Jair Peres, Fernando Honesko, Oswaldo Santana e Duda Izique, trilha André Abujamra

Conteúdo, programete, publicidade seriada, diferenciada, como chama isso, meu Deus?

Acaba de sair do forno da Maria Bonita uma série chamada “gourmand em casa”, apresentada pela Brastemp, criada pela DM9. Aí eu pergunto pro Paulinho Machline, que dirigiu os filmes: Como chama isso? Série de TV, publicidade, conteúdo? Ele: Ah, sei lá, é tipo uma série de TV, né? É meio dramaturgia, meio publicidade, tem uma pegada de ficção seriada, não sei, pergunta pro atendimento! Aninha, como chama? Ah, não é tipo branded content, branded entertainment? Grita o Coy passando no corredor: É conteúdo, meu! Nova era! Nova forma! Chama de programete!
Bom, sei lá como chama. Sei que é muito bacana. Os filmes são totalmente estruturados sobre atuação e dramaturgia, o ritmo é de série de TV e a equipe é de cinema. A direção é do ( “Oscar nominee”… uau…) Machline com roteiro do Antônio Prata. Passa na Tv a cabo, o protagonista Daniel tem twitter, facebook, enfim, a tal ação integrada, 360º, tal e coisa.
O perigo desse formato é tentar fazer disso uma forma de propaganda barata. Definitivamente não é. Pra ficar bom, tem que ter recursos parecidos com o da publicidade tradicional, boa direção, boa produção, boa captação. Se não o que se verá não será uma publicidade diferenciada e sim uma publicidade ruim, mal feita, pobre. Nem de longe é o caso desses filmes, super bem cuidados, bem dirigidos, bem atuados. O formato é diferente e inovador. Mas de nada adiantaria se a qualidade fosse ruim.

direção Paulo Machline, roteiro Antônio Prata, fotografia Christiano Mello, arte Joan Pallas, montagem Oswaldo Santana, trilha Utrasom, produção Maria Bonita, criação DM9DDB

Filme da Semana – Mini Bis – Sapatos

Putz, tô ficando meio mal de falar de filme brasileiro dirigido por diretor gringo. Já falei do La Fortuna, o filme de Saveiro da pipoca, dirigido pelo Luciano Podcaminsky, argentino. Agora tem esse de Mini Bis dirigido pelo Brian Billow, americano. Tudo bem que a produção é brasileira, filmado no Rio, mas fato é que de novo o filme que mais me chama a atenção na semana é dirigido por um diretor de fora… Bom, o filme é bem simples, provavelmente barato e tremendamente bem realizado. Timing de atuação perfeito, casting que trafega no exato fio da linha que divide o esquisito do interessante, fotografia e arte despretensiosas, o que faz com que a gente preste atenção nos atores e somente nos atores. Roteiro sem diálogos para um filme de narrativa – sonho de diretor que gosta de contar histórias, de usar recursos de atuação e cinematografia pra desenvolver o filme, de modo que se possa inclusive prescindir de falas, diálogos e explicações.

Mas, puxa, não tinha ninguém aqui pra dirigir esse filme?

Eu, pessoalmente, na contramão de quase todos os meus pares e colegas, continuo com a mesma opinião: quanto mais filme bom passa no intervalo do Fantástico, melhor é o nível da nossa publicidade. Melhora o público, melhora a produção, melhora a criação,  melhora o cliente. É um círculo virtuoso que enriquece o mercado e ajuda a nivelar por cima. E o olhar de um diretor de fora, com a sua cultura sobre a nossa cultura, a mistura das referências, das bagagens, das experiências, enfim, a influência de uma cultura sobre a outra, enriquece o produto final, que é o filme que a gente vê na TV. Mas é claro que dá uma raivinha quando um roteiro bom vai pra um diretor de fora. Principalmente em épocas de produção espremida, de poucos filmes e sobretudo de pouquíssimos filmes bons. O problema não é que bons filmes vão pra diretores de fora. O problema é que, hoje em dia, bons filmes são poucos. E bons diretores são muitos.

direção Brian Billow, fotografia Vitor Amati, produção Hungry Man Brasil, criação Ogilvy

Sexo, tristezinha e Havaianas.

Me deu uma tristezinha de ver o novo filme de Havainas, com a velhinha que falava de sexo no filme anterior meio que se desculpando a quem se sentiu ofendido pelo filme que brinca com sexo, do qual falei aqui em post anterior. Quando escrevi, não achei relevante falar do tema sexo, ainda não havia dado problema nesse sentido e, sinceramente, não me passou pela cabeça que isso se tornaria uma discussão. O filme chega a ser singelo ao tratar do assunto de forma tão bem-humorada… Mas teve uma grande reação, gerou discussão e pra minha alegria muita gente se levantou pra reclamar, defendendo o filme de “um moralismo hipócrita de uma minoria autoritária”, como escreveu Marcello Serpa no Twitter. Mas agora vem a resposta aos moralistas, dizendo que o filme vai ser tirado do ar. Que pena. Esse novo filme também é esperto, divertido, com imenso senso de oportunidade e coloca a marca como democrática porque ouve a opinião dos consumidores – mesmo dos que são retrógrados e moralistas. Parece mesmo um achado. Na verdade, me parece que foi uma excelente saída que a agência encontrou diante do fato de que talvez tenha tido que tirar o filme do ar. O cliente sai de democrático e a agência mais uma vez é criativa. Mas, no fundo, acho bem triste que, no final das contas, o filme foi tirado da TV. Fica um gostinho meio amargo de achar que a opinião da minoria autoritária acabou vencendo.

Uma semana fora e nenhum post! Mas estive a metros de Brad Pitt e Tarantino…

Passei uma semana desfrutando de um final de verão chuvoso na Espanha e na França. O mais próximo que cheguei de pensar em trabalho, cinema, filmagens e tal, foi ter sido obrigada a parar meu carrinho no meio da rua em San Sebastian para dar passagem ao carrão que trazia Brad Pitt do aeroporto ao Hotel Maria Cristina – onde Tarantino já o esperava pra coletiva de “Inglorious Bastards”, que passaria naquela noite no Festival de Cinema de San Sebastian. Achei que isso já estava bom pra mim em termos de cinema, festival e tal, e segui reto pra desfrutar do verão chuvoso em Biarritz que, embora pareça uma cidade eternamente em festival de cinema, não havia nada que me lembrasse trabalho. A não ser uma ressaca fabulosa no mar feroz que fez de Biarritz, pra mim, uma das cidades mais cinematográficas que eu já visitei na vida.
Bom, tudo isso pra tentar amenizar o fato de que estava de férias e não postei nada no blog durante esses dias. Prometo compensar.

brad-pitt-san-sebastian-24san-sebastian

Biarritz cinematográfica 1

Biarritz cinematográfica 1

Biarritz cinematográfica 2

Biarritz cinematográfica 2

Lágrimas na Vila Leopoldina – Manada!

Terminaram as filmagens do piloto do 3%, projeto do coletivo Manada, produzido pela Maria Bonita Filmes. Já contei aqui e aqui a história deles, que me enche de orgulho e emoção. Mas emoção mesmo foi estar presente no set, no último take da última das 6 diárias. A equipe em lágrimas – não só porque o clima foi especialmente emotivo, mas principalmente porque todo mundo ali se deu conta que testemunhou e participou de um projeto único e especial. O 3% por cento é um projeto denso, profundo, autoral. Criado e dirigido por meninos de 20 anos. E executado por uma equipe de feras do cinema que passou uma semana em estado de graça, comandada por estudantes da USP, tão especiais, mas tão especiais, que no final já não se sabia mais quem era estudante e quem era professor. Não foi difícil perceber o verdadeiro conto de fadas contemporâneo que é a a história desses meninos que nem bem terminaram seus TCCs e já são diretores respeitados por quem faz cinema há anos em São Paulo. Quem é da área sabe o que aconteceu na Vila Leopoldina na última semana de agosto. Ou pelo menos ouviu falar – e muito. Daqui a pouco todo mundo saberá.

3% - cenário e figuração

3% - cenário e figuração


3% - trio de diretores - Dani, Jotagá e Daina

3% - trio de diretores - Dani, JH e Daina


3% - equipe de filmagem

3% - equipe de filmagem


Manada Completo

Manada Completo

Filme da Semana – Havaianas – Avó

Semaninha fraca de filmes novos… Me resta falar de filmes bons com fórmulas consagradas. A campanha de Havainas tem mais ou menos a mesma fórmula há anos e continua um sucesso. Filmes bonitos, divertidos, gostosos de ver. Sempre com atores conhecidos da televisão. Pra mim, o grande diferencial é que os atores são bem aproveitados. Estamos acostumados a ver filmes com “celebrities” cujos roteiros se apóiam não numa boa ideia, mas apenas no fato daquela personalidade estar ali. O resultado são filmes totalmente sem graça, em que o ator está ali só pra dar o serviço, quase um lettering animado. E às vezes chega a ser até constrangedor, com um ator da novela (cantor, jogador de futebol, exbigbrother…) sorrindo amarelo e falando em nome de determinada marca, se colocando como “nós, da marca tal”, como se alguém pudesse pensar que ele trabalha lá! Aborrecido e constrangedor. Não é nem de longe o caso desses filmes de Havaianas – os filmes tem uma ideia e os atores estão sempre atuando, o que é justamente o que eles fazem de melhor. Os roteiros são historinhas descompromissadas que entretêm, fazem você prestar atenção e se identificar com aquela marca – como deveria ser da natureza dos comercias de TV. Não é de se admirar que a velha fórmula de Havaianas não se desgaste – ideias simples e boas, bem realizadas. E bem dirigidas. Desde sempre esses filmes vem sendo dirigidos pelo especialista Clovis Mello, por quem todo ator ” celebrity” quer ser dirigido em comerciais – garantia de um filme bom e bem cuidado e de uma filmagem rápida e tranquila. Garanto que isso não é pouco e não acontece à toa. E a fórmula não se desgasta. Porque é boa.

direção Clovis Mello, fotografia Fernando Oliveira, produção Cine, criação AlmapBBDO

Jonas e a Baleia – terceiro tratamento do roteiro

Terminei o terceiro tratamento do roteiro de Jonas e a Baleia. Queria diminuir (em relação ao segundo, feito pelo meu parceiro Élcio Verçosa) o número de páginas e tempo da ação. Quanto ao número de páginas, recebi com 153 e estou entregando com 129. Ainda acho grande, mas desconfio que seja porque ainda é muito descritivo, literário. Fico na dúvida de tirar completamente essas descrições, que fazem entender o universo dos personagens e a natureza das relações entre eles. Esse é um filme de emoções intensas que levam a um desfecho trágico. Se quem lê não entende o que em outro caso seriam as entrelinhas do roteiro, não entenderá o que leva ao desfecho do filme. A ação é desencadeada por um acidente ambíguo que se desdobra numa tragédia de erros. Como se restringir a descrever uma ação fria num filme que fala de confiança e traição, amor e ilusão, da dor de uma criança que trai o irmão pra protegê-lo, de uma adolescente inteligente e bem formada que se expõe ao perigo pra preencher o vazio de sua vida e, principalmente, de um garoto cuja beleza e carisma fazem dele um príncipe deslocado em seu mundo, mas não lhe dá acesso ao mundo com o qual ele sonha? Enfim, sofri com esse dilema nas últimas 2 semanas, debruçada sobre o roteiro dia e noite. Resolvi manter as descrições emocionais e psicológicas, mas economizar nas descrições de ação propriamente dita, agora mais enxutas e objetivas. Acho que o resultado está ficando bem bom. Mas ainda gostaria de diminuir mais algumas páginas, pra que seja mais fácil de ler o roteiro. Missão essa que devolvo agora pro meu parceiro Élcio, que revisará o terceiro tratamento ou fará o que espero que seja o quarto e último, dessa fase. Os próximos passos agora são terminar o orçamento a partir da análise técnica que foi feita já com o segundo tratamento, colocar na lei, nos editais, captar, polir o roteiro e filmar. Hahaha. Assim fácil.

roteiro dividido por dias da semana no tempo da ação

roteiro dividido por dias da semana no tempo da ação

Filme da Semana – La Fortuna – Saveiro VW

Mais um filme de VW da Almap feito pela Rebolucion, produtora argentina que já tinha produzido “cachorro-peixe”, pra mesma agência e pro mesmo cliente – único leão de ouro do Brasil em Cannes esse ano. Só isso já justificaria repetir a dobradinha… Mas duro vai ser aguentar o chororô das produtoras brasileiras, que não gostam de ver um filme grande de uma agência bacana ser produzido fora, muito menos com produtora argentina! Bem, choremos então. O filme é lindo, o diretor é excelente, e as locacões… bem, as locações são no Uruguay. O que realmente nos deveria doer é o fato do Uruguay não estar para São Paulo como está para Buenos aires- do outro lado do rio. Colonia do Sacramento, por exemplo, onde foi feito esse filme, é uma pérola tombada pelo patrimônio histórico que fica do outro lado do Rio da Prata, por onde se chega em 1 hora de barco! Francamente…
Filmar no Uruguay tem sido a escolha de dezenas de diretores da Argentina, do Brasil e do mundo inteiro. Está se formando ali um esquema de production services em grande escala pra atender essa demanda e o país está se tornando o grande estúdio a céu aberto da América do Sul. Esse filme, de narrativa e cinematografia épica, dificilmente teria resultado tão bom se fosse filmado no Brasil.
Agora, será que ficaria tão bom se fosse feito por diretor e produtora brasileira? Provavelmente sim. Como, aliás, vários dos filmes anteriores da mesma agência e do mesmo cliente, inclusive filmados também no Uruguay.
Quero crer que essas escolhas são feitas mais por afinidades específicas entre criação, direção e produção pra cada tipo de filme, do que pela nacionalidade do diretor ou endereço da produtora. Em tempos globalizados, e nos raros casos em que orçamentos e prazos não influem na escolha artística, é natural que ela não se restrinja a limites geográficos. Mas, para além dessa discussão, vale muito ver o filme que, assim como cachorro-peixe, eleva o nível dos filmes que a gente vê na TV do Brasil.
Ah, já ia esquecendo: a trilha, que é elemento narrativo fundamental nesse filme, foi feita no Brasil e ficou sensacional…

direção Luciano Podcaminsky, fotografia Marcelo Camorino, produção Rebolucion, trilha Tentáculo, criação AlmapBBDO

direção Armando Bo, fotografia Cristian Cottet, produção Rebolucion, trilha Hilton Haw, criação AlmapBBDO

Inglês ou anjês?

Vou aproveitar o assunto de um post anterior do “filme da semana”, sobre o filme “Fábrica” de Ford Focus, comercial brilhante com trilha feita em cima do pop americano. Desde então vários filmes tem contribuído pra enxurrada de comerciais com trilha em inglês. E a gente acaba passando o dia cantando “should I stay or should I go” no trânsito, “that’s the way ahã ahã I like it” no banho, ” “only youuuuuuu” em cima do fogão… Não sei se o fato da imensa maioria da população não falar inglês muda alguma coisa, porque no final a “vibe” da música também ajuda no entedimento do filme. Pensando nisso lembrei de um filme feito pra um cliente que não queria letra na trilha, com medo das pessoas prestarem mais atenção na letra do que no filme. Propusemos então que a letra fosse em inglês, porque o filme era melancólico, emocional, queríamos uma voz que desse esse tom. Mas eles não queriam significado na música, nem em inglês. Bom, então chegou o maestro, Zezinho Mutarelli, da SaxSoFunny. “Deixa comigo”. Como assim, o que você vai fazer? Uns dias depois ele volta com a música. “O filme não é sobre anjos?” É. ” Então a letra é em angês. Soa inglês, mas ninguém entende. É angês!”. Gênio, o Zezinho.

trilha SaxSofunny, direção Lô Politi, fotografia Ralph Strelow, arte Marcelo Scañuela, produção Maria Bonita, criação Lew,Lara


Lô Politi

Blog pra falar (originalmente) de cinema, tv e publicidade. Mas agora tem também crônicas, viagens e aleatórios...

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