Difícil que apareça um filme de Natal com uma idéia nova, ou uma realização surpreendente. Estou há dias procurando um filme de Natal pra comentar, que aponte algum diferencial. Estava já me contentando com o filme do Boticário, dirigido pelo Heitor Dhalia, que não tem nada de novo, mas tem uma realização impecável, um filme fofo, lindo e emocional, como deve ser um bom filme de Natal. Mas eis que surge um filme que, embora não seja exatamente inovador, ajuda a espantar a repetição e o tédio natalino ao evitar as luzinhas de Natal, o sorriso emocional da criança, o presentinho que brilha… isso sem falar no indefectível Papai Noel. Mas o grande mérito mesmo é usar um símbolo tão natalino como o sino em um contexto universal e atemporal, que nos remete ao espírito natalino sem necessariamente mostrar as tão batidas e combalidas cenas de Natal. A gente termina de ver o filme embuídos da mensagem de paz e alegria, sem ter visto uma única luzinha, um único floco de neve, um único sorriso falso, um único Papai Noel. E pra garantir a qualidade narrativa e a riquesa visual, o filme ainda carrega a assinatura do Fernando Meirelles. E, podem dizer o que quiserem, mas encaremos a verdade: o bicho é bom. Onde ele põe a mão, sai um filme bom. Ponto final.
direção Fernando Meirelles e Paulinho Caruso, fotografia Adriano Goldman, montagem, Raimo Benedetti, trilha Voicez, produção O2 Filmes, criação DPZ
