Entre a bizarrice reinante no mundo dos comerciais de remédio, principalmente os de dor de cabeça, os filmes de Neosaldina voam solo na criação e, consequentemente, na realização. Adoro o filme anterior, todo feito em fast-motion e câmera subjetiva, que mostra um dia estressante na vida de uma mulher e termina na deliciosa gargalhada de um bebê. O filme, dirigido brilhantemente pelo Marcello Lima, meu colega na Zeppelin, tem uma linguagem bastante diferenciada e, nesse caso, a realização acaba sendo o diferencial inclusive da criação e do roteiro, que se utiliza muito propriamente da técnica pra passar o conceito de stress.
Agora, no filme novo, a realização não é exatamente inovadora, mas a idéia é bem boa e está tão bem realizada que, de novo, parece um oásis nesse mundo muito louco da propaganda de remédios. A dupla Nando Cohen e Mateus de Paula Santos, da Vetor Zero/Lobo, vem acertando a mão nos filmes que misturam live action e computação gráfica. Muito bom pra produtora, que é especializada em computação e pós-produção, fazer um filme assim – humano, emocional, poético.
Atenção para a trilha, que é muito boa, apesar de cair numa certa tendência dos últimos tempos de trilha pop com letra em inglês ( já falei disso aqui, comentando o filme “Fábrica” de Ford Focus ), o que faz com que o filme possa ser confundido com vários outros que estão ou estiveram recentemente no ar. Mas, olhando pra esse filme isoladamente, a trilha é perfeita. Emocional, poética, delicada. E mesmo quem não entende a letra se sente transportado praquele universo aonde o filme quer nos levar: o mundo sem problemas, sem stress, sem dor de cabeça.
Vou postar esse, Balões, e também o anterior, pra quem não se lembra.
direção Nando Cohen e Mateus de Paula Santos, fotografia Lito Mendes da Rocha, trilha Hilton Raw, Produção Vetor Zero/Lobo, criação Santa Clara Nitro
direção Marcello Lima, fotografia Alemão Franscisco, trilha Sax So Funny, produção Zeppelin, criação Santa Clara Nitro
