Arquivo de fevereiro \26\UTC 2010

Crônica da Sexta – Castanhas portuguesas pra madrinha cronista.

Vou aproveitar que hoje é sexta e eu tenho que colocar uma crônica aqui no blog, pra me exibir e desfilar de mãos dadas com minha madrinha Nina Horta, cronista da Folha das quintas-feiras, dona da melhor, mais saborosa e mais comovente coluna de jornal de todos os tempos. A crônica dela de ontem fala das castanhas portuguesas que colhi da árvore que plantei há anos, esperançosa de um quintal como o do meu desenho de criança, aquele que tem a montanha, o sol, a casinha e a árvore. A árvore do meu desenho de criança, descobri mais tarde, era uma castanheira.

Sempre fui louca pela castanheira, pela forma da castanheira. Sonhei a vida toda com esse quintal com uma única árvore em destaque, imperiosa e imponente, com uma sombra generosa que protegeria toalhas abertas de piquenique, raízes transformadas em bancos pra conversas lentas, redes amarradas em galhos grossos, enfim, uma árvore. A minha árvore.

Decidi que esse quintal seria o gramado do meu sítio (que já vem com montanha e sol), bem em frente à casa, para que eu pudesse olhar minha árvore todas as manhãs quando abrisse a porta.
Plantei várias, sucessivas e péssimas mudas. Entristeci todas as muitíssimas vezes que elas morreram até que uma delas, única, forte, linda, persistente, começou a se avolumar sobre o meu jardim, resultando na imensa castanheira que ano a ano vem superando qualquer expectativa que um dia eu tive em termos de árvore pra caber no meu desenhinho de criança. E as castanhas começaram a vir. No começo eram pequenas, murchas, feinhas mesmo. Mas tudo bem, eu queria era a árvore, né? Mas outro dia, depois de uma ausência de muitas semanas, cheguei ao sítio à noite. Ao abrir a porta de manhã, não pude acreditar no que vi. O chão em volta da árvore estava coberto de um imenso tapete de castanhas portuguesas. Grandes, parrudas, impressionantes.
Com o cesto da primeira colheita em minhas mãos me dei conta de algo que nunca tinha me ocorrido antes. Não gosto de castanhas. Gosto imensamente da castanheira, mas não gosto de castanhas. Em nenhuma forma, nem mesmo marron glacé.
E agora? Quem saberá apreciar verdadeiramente aquelas lindas castanhas, aquelas senhoras castanhas portuguesas, grandes e brilhantes? Quem nesse mundo terá a sensibilidade de olhar pra elas e sentir a importância de ter nas mãos frutos tão especiais, tão esperados, colhidos de uma árvore cultivada por anos e anos por conta da sua semelhança com um desenhinho de criança?

Tia Nina, que bom que não deixei que trocassem a minha madrinha. Sou eu mesma madrinha trocada de um menino que eu amo muito e adoro que ele tenha permitido (ou aceitado) a troca. Mas detestaria ler suas crônicas todas as quintas no jornal e pensar que aquelas palavras tão bem acomodadinhas no papel são escritas por alguém que poderia ser minha madrinha mas eu deixei que não fosse mais. Penso agora que cultivei tanto tempo essa castanheira, sem gostar propriamente de castanhas, provavelmente pra poder um dia entregá-las a você. E ler, nas suas palavras, histórias que dizem a mim quem eu sou.

(E não sei o que em mim me leva quase às lagrimas todas as vezes que eu leio em suas crônicas alguma menção à sua mãe ou ao se irmão. Dona Dulce tinha cabelos azuis e óculos amarelos e eu nunca, nunca esquecerei da figura elegantérrima e cultíssima que me salvou da ignorância e ainda me fez acreditar que eu mesma tinha alguma inteligência. Arthur um dia afastou os cabelos da minha cara adolescente, abriu bem meu rosto escondido, tímido, envergonhado, e me fez acreditar que ali tinha alguma beleza. Veja, a depender dos seus, seria um poço de segurança e bem estar. Linda e inteligente. Quem dera. De qualquer jeito, pra sempre em minha vida, quando estiver meio assim, meio insegura, terei sempre o recurso de evocar em minha mente qualquer um dos seus Guimarães)

Leia crônicas anteriores sobre minha madrinha aqui e meu afilhados aqui.

E a da minha madrinha, de ontem (clique sobre o texto pra ampliar):

ou no link pra quem tem UOL aqui.

Filme da Semana no Rádio – Devassa Bem Loura – Paris Hilton

Minha coluna do rádio – BandNews FM – segundas – 21:20.

Escute a de 22/02/10 – Devassa Bem Loura – Paris Hilton :


Veja post anterior sobre o filme aqui.

Crônica da Sexta – Finalizando Marrocos

Meu anfitrião em Marrakesh, Antoine Gély, mandou esse trecho do filme “O Homem que Sabia Demais”, de Alfred Hitchcock. Vendo o filme, um dos que eu mais gosto do Hitchcock, me deu a sensação de que, por mais percalços que se possa passar num país de cultura tão diferente da nossa, é muito enriquecedor estar aberto a novos estímulos. Vendo agora, já com uma certa distância, chego a conclusão que o Marrocos é um país imperdível e que Marrakesh é uma das cidades mais interessantes que já visitei na vida. Agora, esquecendo um ou outro aborrecimento, o que ficou realmente grudado na minha mente foi a sensação de estar num lugar único no mundo – a praça Jemâa el Fna, o souk, os aromas, os Hammans, as ruelas da Medina, os restaurantes e Riads inacreditáveis escondidos dentro dos muros, a confusão árabe-africana que dá um verdadeiro nó na nossa mente ocidental.
Veja que delícia a cena do filme… pena que James Stewart e Doris Day fizeram tudo em estúdio nesse Chroma-Key meio podre que tenta, em vão, convencer a gente que eles estão lá em Marrakesh. Pena pra eles… perderam!

Veja posts anteriores sobre o Marrocos aqui e aqui.

Filme da Semana – Devassa Bem Loura – Paris Hilton

Filme de sacada, aquelas boas idéias que funcionam pontualmente: só poderia ser pra essa cerveja, com essa personagem, nessa época do ano. Uma cerveja que chama Devassa – que já dividia suas cervejas entre louras, ruivas e negras – e que agora lança a bem loira. Hummm… vejamos… devassa… bem loura… Paris Hilton!!! Bingo. Muito esperto. E como não se deve subestimar o poder da internet, é claro que todos se lembram do vídeo que popularizou Paris Hilton no planeta. Então pronto, né?
Pra coroar a idéia, o filme é muito bom e faz excelente uso do melhor cenário pra um filme como esse: o Rio de Janeiro de fevereiro, em pleno carnaval – lindo, quente, ensolarado e devasso. Perfeito.

direção Alex Gabassi, produção O2 Filmes, criação Mood

Crônica da Sexta – Aos 13 anos – Bandeira Branca, amor…

Ele era meu sonho. Bonito, muito parecido com o John Travolta da época, aquele de Saturday Night Fever. Ia beijá-lo naquele dia, tinha certeza. Era Carnaval, festa no clube, a única noite do ano em que nos era permitido ficar numa festa até de manhã, com café da manhã incluído na programação. Aos 13 anos, isso significa muito. Eu fiquei a noite toda meio por perto, meio de olho, meio esperando. Primeiro ele dançou brevemente com minha melhor amiga, despertando em mim o primeiro rasgo do que mais tarde eu saberia se tratar de ciúme amoroso, o pior dos sentimentos. Mas depois ele dispersou e dançou com uma, dançou com outra, até que finalmente veio em minha direção. Puxou meu braço, me conduziu ao meio da pista, dançamos, dançamos. De repente, a marchinha de carnaval animada que nos fazia pular unidos apenas pelos olhos deu lugar a um breve silêncio. A orquestra em suspenção esperou que a cantora virasse a cabeça dramaticamente na nossa direção e entoasse, à capela, os verso que dali pra frente seriam mágica aos meus ouvidos: Bandeira Branca , amor… Não posso mais… Pela saudade que me invade eu peço paz… Laralaralaralarááá…. Ele aproximou seu corpo do meu, seus olhos dos meus, sua boca da minha. E nos beijamos. Uma, duas, muitas vezes. A noite inteira.
Muitas marchinhas de carnaval depois, o dia raiou e a magia estremeceu. Todos na beira da piscina, se empurrando alegremente pra água, transformando em coletivo aquela que foi minha primeira noite a dois. Ele se deixou levar, soltando minha mão pro que seria o resto das nossas vidas. Disso eu ainda não sabia. Mas temia. E, de fato, deu-se. Passei semanas, meses, embalando meus sonhos com os versos de Bandeira Branca, esperando ele voltar de umas férias na praia que nunca terminariam.

Trinta anos depois, eu disse TRINTA anos depois, recebo um telefonema daquela minha melhor amiga da infância, que dançou com ele rapidamente antes de mim e que, em seguida, foi testemunha dos meus intermináveis suspiros que duraram o tempo que deve durar a primeira decepção amorosa. Tinha recebido um email de alguém que ela não via havia muito tempo, não se lembrava direito, mas sobre quem tinha uma única certeza: Nunca foi seu namorado. O email dizia: Minha primeira namorada, nunca esqueci aquele Carnaval…

Ok, foi mais importante pra mim do que pra ele. Mas puxa, não saber direito qual das duas amigas ele pegou? Francamente. Deve ter se separado e, numa reação típica e previsível, buscou o caderno de ex-namoradas e começou pela primeira da lista. No caso eu, essa eu que tanto faz se era ela ou eu. Bem, o John Travolta era mesmo meio cafona…

Filme da Semana – Salty Mask – Knorr

Adoro propaganda seriada. Uma história que começa em um filme e continua em outros, quantos forem necessários ou quantos a história aguentar. Ultimamente existe uma tendência de propaganda seriada em formato de seriado mesmo, em episódios semanais, séries fechadas em um número definido de capítulos, como os seriados que vemos na programação regular da TV. É um formato de publicidade calcado no entretenimento. Já falei dele aqui comentando uma série de oito filmes feita para a linha Gourmant da Brastemp. Mas o formato desses filmes canadenses de Knorr é calcado na propaganda tradicional, de 30 segundos, sem continuidade nem frequência pré-definida. A diferença é que eles se utilizam de princípios básicos do entretenimento pra criar uma relação com o consumidor ultrapassando o produto e se conectando diretamente à marca. Aqui no Brasil temos o exemplo dos filmes da família Sadia, que de tempos em tempos faz uma série de filmes que contam a historinha de uma mesma família e que às vezes duram anos. Com o tempo aprendemos a reconhecer os personagens, a gostar deles, a bater o olho no primeiro frame e já saber exatemente do que se trata, quem são e como se relacionam aquelas pessoas. Como num seriado de TV. Salty é um personagem fofíssimo, ultra-carismático, ainda que se considere que seja apenas um saleiro. Um anti-herói cuja jornada é dura, muito dura. Ao vê-lo no primeiro frame toda a simpatia angariada nos filmes anteriores saltam do espectador para a TV. E já sabemos que ele vai se ferrar, mas queremos ver como e até quando. A animação é canadensemente perfeita e os roteiros são ótimos. Esse último filme da série dá a causa do personagem praticamente por perdida. Não conseguindo sucesso nesse e em nenhum do outros filmes, ele se vê sem saída e só lher resta o pior dos caminhos: o crime.

O filme “Mask” é o último, mas vale muito a pena ver a série toda, postada aqui na ordem.

direção David Hicks, produção Sons and Daughters, criação DDB Toronto

Comerciais do Super Bowl 2010 – Para ver, votar e rezar por um intervalo do Fantástico um pouco melhor…

O Super Bowl funciona como uma espécie de Fantástico do mundo dos comerciais gringos, caros e bem produzidos. No Brasil guarda-se o comercial para que seja veiculado a primeira vez nos intervalos do Fantástico, uma prática pré-histórica que remonta ao tempo em que o programa tinha boa audiência e mostrava matérias sobre coisas incríveis e inovadoras. Bem, ok, talvez quem tenha menos de 90 anos não se lembre que houve um tempo em que o Show da Vida tinha algum interesse. Mas, desse tempo remoto, ficou o hábito e, se você quer ver comercias novos na TV em primeira mão, é obrigado a assistir a esse Fantástico aí dos dias de hoje, mesmo. Ou usar os intervalos entre os comercias pra pedir a pizza, ir ao banheiro, educar as crianças, dar uma cochiladinha no sofá… Ah, e pior de tudo, você também tem que aguentar as ofertas em volume enlouquecedor de dois comerciais de Casas Bahia por break. Ninguém merece. E, pra fechar o ciclo de horror, os comercias lançados no Brasil ultimamente, com poucas exceções, nem de longe chegam aos pés da qualidade dos comercias lançados no Super Bowl. Bem, uma pena. Pra gente como eu que não tem nenhum interesse pelo Super Bowl em si, nem sabe em que canal passa ou mesmo se é possível assitir no Brasil, o bom mesmo é ir nesses sites de publicidade que reúnem e comentam todos os filmes, sem intervalo pra jogo ou pra programa chato. E você ainda pode votar ou, se não tiver muito tempo, ir diretamente nos mais votados que, nesse caso, são os melhores…
Veja, vote e reze por um intervalo do Fantástico um pouco melhor. Aqui.

Filme da Semana no Rádio – Balões – Neosaldina

Minha coluna do rádio – BandNews FM – segundas – 21:20.

Escute a de 01/02/10 – Balões – Neosaldina:


Veja post anterior sobre o filme aqui.


Lô Politi

Blog pra falar (originalmente) de cinema, tv e publicidade. Mas agora tem também crônicas, viagens e aleatórios...

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