Arquivo de março \31\UTC 2010

Filme da Semana – Família Qualy (novelinha) – Sadia

Outro dia comentei aqui que adoro propaganda seriada, falando sobre os filmes com o personagem Salty, da Knorr. São comerciais que contam histórias conectadas, com os mesmos personagens, de forma que a gente, ao acompanhar a evolução da trama, acabe estabelecendo uma relação com aqueles personagens e, no final das contas, com aquela marca. Aqui no Brasil existem poucos casos mas um dos que todo mundo se lembra é o da família Qualy, da Sadia. Acompanhamos a rotina de uma família por anos, o protagonista mirim da série anterior cresceu na nossa frente, passou de criança a adolescente e quase adulto sob o nosso olhar. Foram muitos filmes, mostrando uma família feliz (margarina, né, gente?) e divertida. Com aquelas crianças já crescidas, começou agora a história de uma nova família, mais contemporânea, cujo protagonista é filho de pais separados e mora com a mãe e a avó. Acaba de sair o terceiro episódio onde o novo menino, ainda bem criança, começa a se relacionar com o namorado da mãe, depois de o ignorar no primeiro episódio e o desprezar no segundo. Tomara que essa família também se desenvolva e cresça e a gente acompanhe essa história por anos. Mais moderna que a série anterior no conteúdo, a forma aqui também ajuda bastante a renovar o produto. Coforme determina os novos tempos, uma câmera mais solta, enquadramentos mais elaborados e uma atuação precisa (que é a marca do diretor, Alex Gabassi) marcam mais profundamente a mudança dos tempos, das famílias e da maneira como se faz o bom cinema publicitário no Brasil.
Posto aqui os três episódios desse nova família e o último da família anterior, só pra gente lembrar.

direção Alex Gabassi, produção O2, trilha Play it Again, criação DPZ

direção Alex Gabassi, produção O2, trilha Play it Again, criação DPZ

direção Alex Gabassi, produção O2, trilha Play it Again, criação DPZ

direção Gisele Barroco, produção O2, trilha Play it Again, criação DPZ

Filme da Semana na TV – Especial, direto do deserto do Saara – Peugeot 206 – Escultor

Gravei a coluna enquanto estava de férias, no meio do deserto do Saara, lembrando de comerciais que são filmados em lugares incomuns, diferentes, inusitados, e que já no primeiro frame despertam nossa atenção. Como o brilhante comercial de Peugeot 206 (Escultor) filmado em Jaipur, na Índia, ou o comercial de Pepsi (Deserto), da Almap, dirigido pelo Pedro Becker e filmado nas exatas mesmas areias escaldantes onde gravei minha modesta coluninha…

Filme da Semana no Rádio – Formação – Olympikus

Minha coluna do rádio – BandNews FM – segundas – 21:20.

Escute a de 22/03/10 – Olympikus / Formação:


Veja post anterior sobre o filme Olympikus / Formação aqui.

Caco Faz 60

Trimmmmmmmmm. Lô? Humpf… Lô? Acorda! O Caco foi sequestrado pelas FARC! Hã? Tô indo praí. Trimmmmmmmmmmmmm. Lô? Hãããnnnmm. Acorda!!! Caco está jurado de morte! Se eu morrer, você cuida do meu filho? Quê? Trimmmmmmmmm. Lô? Bibi, não posso falar ag… Lô! Vem já pra cá, precisamos tirar o Caco do país agora! Você pega o Iuri em casa?

Minha vida com Beatriz tem sido assim nos últimos 20 e poucos anos, desde que ela se casou com o Caco. Minha melhor amiga de todos os tempos era ela mesma candidata a jornalista naquela época e dividia com todas as estudantes de jornalismo do Brasil uma paixão desenfreada pelo gatíssimo repórter da TV que, além de lindo, era destemido, corajoso, discreto, inteligente e muito, muito correto. Nunca conheci ninguém com um comportamento tão reto como o Caco. Nunca. A figura dele na TV transparece essa, sobre todas as suas inúmeras qualidades. Mas também transparece outras tantas. Bibi foi irreversivelmente fisgada pelas mais sedutoras delas e marcou de entrevistá-lo (ahã…) pra um trabalho da faculdade (nos ultra-românticos jardins da Fundação Maria Luiza e Oscar Americano… hummm…) e os dois se conheceram e se apaixonaram. Desde então tenho sido coadjuvante no roteiro de um filme de ação que não para nunca. Beatriz acabou mudando do jornalismo pra moda e hoje é Bibi Barcellos, estilista das mais sofisticadas, graças a Deus. Pelo menos alguém tem parada nessa família. Porque antes de conhecer o Caco, ela já tinha me envolvido em programas bem tranquilos do tipo investigar e perseguir pelas ruas uma quadrilha que criava vira-latas sarnentos pra abater e vender a carne (!!!), ou ir pro instituto médico legal analizar provas de um crime horrendo, ou percorrer delegacias em busca de alguém que ela suspeitava poder ajudá-la em alguma investigação. Programa bom de fazer com uma amiga quando você quer apenas tomar um café com ela pra matar as saudades… Enfim, era claro e óbvio que Bibi deveria casar com Caco, como também era claro e óbvio que um dia um dos dois deveria mudar de vida e, graças a Deus, Beatriz sossegou o facho e passou a lidar com agulhas, rendas e tecidos. Ufa. Eu agradeço. Os dois filhos deles também. As noivas do país inteiro que tem seus vestidos preciosamente confeccionados por ela também.

Mas outro tipo de desassossego passou a nos perturbar. Onde está seu marido agora? Bom, 99% das minhas amigas responderiam: no trabalho, no futebol, no bar com os amigos. Não Beatriz. As respostas dela são do seguinte naipe: Incomunicável na Amazônia. Acampado na Cracolândia há 3 dias. Na guerra do Golfo. Sequestrado na floresta da Colômbia. Não sei dele há 5 dias, desde que embarcou num monomotor a procura de traficantes na Bolívia… Meu Deus! Não é exagero. Na verdade é muito pior, porque além de tudo Caco escreveu alguns livros que são um tremendo sucesso mas que algumas pessoas não muito amigáveis acharam meio ruim e isso deixa nosso herói em permanente estado de vigilância. Mas Bibi, que se apavorava no começo, hoje lida com isso com tremendo jogo de cintura. Confia no Caco, confia na vida dos dois, na história que eles fizeram. E também com o tempo ele tem sido um pouco, bem pouco, mais precavido. Ultimamente se dedica principalmente a dividir seu talento e seu conhecimento com uma nova geração de “Cacos” – que mostra toda terça-feira na TV seu talento descoberto pelo mestre, sinalizando que podem um dia, inclusive, superá-lo. Graças à rara generosidade do Caco, que levanta a bola pra que os pupilos cortem. E eles cortam. E muito bem. Juntos eles fazem o que é, na minha opinião, o melhor programa da televisão aberta dos últimos tempos.

Semana passada Caco fez 60 anos e se permitiu comemorar com os amigos de toda uma vida. Ocasião rara pra quem quase nunca tem a oportunidade de vê-lo relax, fora da exaustiva rotina de herói nacional que é o dia a dia dele, sem folga, sem final de semana, sem tempo pra nada. E estava ele lá, lindo como sempre, suave como sempre, sorridente e interessado nas pessoas como sempre. E deu a impressão que todos os jornalistas vivos estavam lá. Dos mais velhos, que todos se levantam pra receber, aos mais novos, colegas dele do programa atual, que dançaram até as 5 da manhã. Além dos filhos e os amigos dos filhos, dos amigos e os filhos dos amigos, editores, diretores, amigos do futebol, da TV, da vida. Caco fez 60 anos. Como muito propriamente alcunhou o Casseta: Gato Barcellos, do Bonitão Reporter. Macrobiótico, atleta, gente boa e coração grande, Caco será uma espécie de Niemeyer do jornalismo, tanto em longevidade quanto em relevãncia na profissão que o escolheu.

Caco é herói nacional e meu herói particular. Todas as vezes que sinto que algo está difícil no meu trabalho, ou que eu não tenho tempo pra alguma coisa importante, lembro do Caco e tomo vergonha na cara. Morro de orgulho dele. De ser amiga dele, quase cunhada. De ser madrinha de dois filhos dele. De ser fã, espectadora e leitora assídua de tudo que ele faz. De compartilhar a vida e a família com ele por tantos e deliciosos anos. De quase não vê-lo, porque ele está ocupado salvando e mudando o mundo. Se eu conheço alguém que ajuda a mudar esse mundo, esse cara é o Caco. Meu amigo Caco. Gato Barcellos.

Leia post anterior sobre Caco, Bibi e cia aqui.

Filme da Semana no Rádio – Devassa – Censura

Minha coluna do rádio – BandNews FM – segundas – 21:20.

Escute a de 08/03/10 – Devassa / Censura :


Veja post anterior sobre o filme Devassa/Censura aqui, e sobre o filme original Devassa/Paris Hilton aqui.

Filme da Semana Especial – Devassa Bem Loura – Censura

Nem vou me dar ao trabalho de falar da imensa hipocrisia que é proibir um comercial de cerveja por excesso de sexismo. Ainda mais um filme em que a loura em questão está surpreendentemente muito mais vestida que na maioria dos filmes de cerveja com estrelas nacionais e que, comparado às imagens mostradas pela TV no mesmo carnaval em que a cerveja foi lançada, faz Paris Hilton parecer uma monja.

Também não vou comentar sobre um órgão (auto?)regulador que se presta a acolher recursos de concorrentes que muito claramente só se interessam em lançar mão de um recurso jurídico quando os recursos criativos escasseiam. E ainda permite que configure-se um tremento e previsível tiro no pé, porque é óbvio que a campanha de lançamento da cerveja teve repercussão muito maior com a polêmica em torno da proibição, inclusive internacional.

Enfim, não vou falar nada disso. Só vou dar parabéns aos criadores dessa campanha que depois de muitos anos conseguiu balançar – com publicidade bem feita – o mercado de cerveja. Há muito não se produzia algo que desse o que falar, que chamasse a atenção pela ideia, oportunidade e pertinência, além de satifazer a demanda nacional por comerciais que se valem de mulheres gostosas pra vender cerveja. E, no final das contas, a resposta à censura com o filme Censura (o duplo sentido do título também é muito bom, hein?), além de ser também muito boa, eficiente e divertida, mostra muito mais nudez no desenho da loura com tarja do que o filme original mostra na quase-pura Paris Hilton. Hahaha. Tapinha com luva de pelica…

De qualquer jeito gostaria de dizer aqui que também acho algumas propagandas de cerveja sexistas e às vezes desrespeitosas. Mas tenho convicção que não se resolve isso com censura e sim com educação. Se a propaganda de cerveja é sexista, é porque encontra eco em quem assiste. Tivéssemos um público mais sofisticado em termos de educação, teríamos outras possibilidades de apelo publicitário. Mas se o público que somos consome e aprova há anos a propaganda de cerveja do jeito que ela é, também pode absorver o impacto e as consequências sem precisar de um órgão de autoregulamentação (???) pra dizer o que pode e o que não pode passar na TV.

Posto os dois filmes, o proibido e novo. Ótimos filmes, os dois.

Veja post anterior com comentário sobre o filme original aqui.

direção Alex Gabassi, produção O2 Filmes, trilha Lua Nova, criação Mood

FIlme da Semana – Formação – Olympikus

Ainda no começo do que será a enxurrada habitual de filmes de futebol em ano de Copa, o que se percebe é que entra Copa sai Copa os filmes são quase sempre mais do mesmo. Roteiros algo parecidos que tentam fazer emergir de dentro de nós o torcedor patriota louco pra soltar um grito de vitória. Ou uma lágrima de emoção. Ou um grito de vitória acompanhado de uma lágrima de emoção. Enfim, filmes de Copa. Mas como somos de fato um país emotivo onde todos são loucos por futebol (quem não é, fica – pelo menos durante a Copa…), a verdade é que o Shrek sentimental que habita cada brasileiro nessa época realmente se comove com uma boa câmera lenta, uma trilha emocional, um texto bem escrito. E se juntamos à receita uma pitada de criatividade no roteiro e o talento já bem conhecido do Amon, diretor que é mestre e referência nesse tipo de filme, daí sim, pode puxar o lencinho, sentar na poltrona e derramar sua primeira lagrimeta de emoção. Rumo à cascata de lágrimas que virá com a conquista do Hexa.

direção e fotografia Amon, arte BIlly Castilho, produção Zero, trilha Voices, criação DCS


Lô Politi

Blog pra falar (originalmente) de cinema, tv e publicidade. Mas agora tem também crônicas, viagens e aleatórios...

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