Já escrevi aqui sobre o Nando Olival, um dos meus ídolos na direção de filmes publicitários. Fiquei ainda mais fã dele quando soube que ele parou de dirigir publicidade pra se dedicar ao seu primeiro longa, bancado por ele mesmo. O filme chama “Os 3″ e já está saido do forno (trailer aqui). Desde então ele filma apenas alguns projetos especiais de publicidade, filmes que sejam a cara dele ou filmes nos quais sua direção faça a diferença. Como esse. Não consigo pensar em nenhum outro diretor que faria esse filme tão bem feito como o Nando. Essa leveza, esse ritmo, essa atuação e sobretudo essa cara de filme bem feito – bonito, bem cuidado, bem acabado e que não escorrega no publicitês, nas concessões que se faz ao apelo publicitário em detrimento da qualidade e da verdade do filme – na ilusão de que não se arranha o conteúdo. Arranha sempre. Arranha muito. Raros são os clientes e as agências que tem essa consciência. E olha que esse filme nem é pra TV. Investimento altíssimo em qualidade e conteúdo pra mídias alternativas. Incrível. O mundo está mudando, graças a deus…
direção Nando Olival, fotografia Ricardo Della Rosa, produção O2, criação Africa
Adendo ao post original:
Eduardo e Mônica, 10 anos atrás – A polêmica com o filme da ATL
Três dias depois de postado, Eduardo e Mônica da Vivo já tem 3 milhões de views no youtube e uma polêmica bem chata. Descobriu-se um filme anterior com a música, também de uma operadora (ATL), com a mesma pegada. Não quero entrar nessa discussão, primeiro porque acredito em coincidências mas, principalmente, porque vendo o filme da ATL minha admiração pelo filme da Vivo cresceu ainda mais… Explico: Ao comentar que o filme dirigido por Nando Olival tem o mérito de não escorregar no publicitês (as concessões que se faz ao apelo publicitário em detrimento da qualidade e da verdade do filme) não imaginei que o exemplo contrário viria assim tão rápido e me serviria de demonstração de forma tão didática. O filme da ATL faz justamente isso: Compraram os direitos de uma música tão absolutamente identificada com a juventude do país e mudaram a letra(!!!) pra não correr nenhum risco de ter a marca associada a hábitos que são comuns aos consumidores jovens mas que podem ser “perigosos” se associados a uma marca… O casal do filme é asséptico, não faz nada errado, Eduardo é lindo e loiro, a música foi editada e a letra modificada pra conter só as partes “boas” e politicamente corretas da relação de Eduardo e Mônica. Concessão ao publicitês, que esfria o filme e corta qualquer possibilidade de identificação com aquele casal de filme publicitário. Exato o contrário do que acontece no filme da Vivo, com a letra real, um casal normal, um Eduardo quase esquisito (como a imensa maioria dos adolescentes…) e a consequente identificação imediata com o casal, com o filme e, bingo, com a marca…
o filme da ATL:
