Arquivo para a categoria '2. cinema e TV'



Uma semana fora e nenhum post! Mas estive a metros de Brad Pitt e Tarantino…

Passei uma semana desfrutando de um final de verão chuvoso na Espanha e na França. O mais próximo que cheguei de pensar em trabalho, cinema, filmagens e tal, foi ter sido obrigada a parar meu carrinho no meio da rua em San Sebastian para dar passagem ao carrão que trazia Brad Pitt do aeroporto ao Hotel Maria Cristina – onde Tarantino já o esperava pra coletiva de “Inglorious Bastards”, que passaria naquela noite no Festival de Cinema de San Sebastian. Achei que isso já estava bom pra mim em termos de cinema, festival e tal, e segui reto pra desfrutar do verão chuvoso em Biarritz que, embora pareça uma cidade eternamente em festival de cinema, não havia nada que me lembrasse trabalho. A não ser uma ressaca fabulosa no mar feroz que fez de Biarritz, pra mim, uma das cidades mais cinematográficas que eu já visitei na vida.
Bom, tudo isso pra tentar amenizar o fato de que estava de férias e não postei nada no blog durante esses dias. Prometo compensar.

brad-pitt-san-sebastian-24san-sebastian

Biarritz cinematográfica 1

Biarritz cinematográfica 1

Biarritz cinematográfica 2

Biarritz cinematográfica 2

Lágrimas na Vila Leopoldina – Manada!

Terminaram as filmagens do piloto do 3%, projeto do coletivo Manada, produzido pela Maria Bonita Filmes. Já contei aqui e aqui a história deles, que me enche de orgulho e emoção. Mas emoção mesmo foi estar presente no set, no último take da última das 6 diárias. A equipe em lágrimas – não só porque o clima foi especialmente emotivo, mas principalmente porque todo mundo ali se deu conta que testemunhou e participou de um projeto único e especial. O 3% por cento é um projeto denso, profundo, autoral. Criado e dirigido por meninos de 20 anos. E executado por uma equipe de feras do cinema que passou uma semana em estado de graça, comandada por estudantes da USP, tão especiais, mas tão especiais, que no final já não se sabia mais quem era estudante e quem era professor. Não foi difícil perceber o verdadeiro conto de fadas contemporâneo que é a a história desses meninos que nem bem terminaram seus TCCs e já são diretores respeitados por quem faz cinema há anos em São Paulo. Quem é da área sabe o que aconteceu na Vila Leopoldina na última semana de agosto. Ou pelo menos ouviu falar – e muito. Daqui a pouco todo mundo saberá.

3% - cenário e figuração

3% - cenário e figuração


3% - trio de diretores - Dani, Jotagá e Daina

3% - trio de diretores - Dani, JH e Daina


3% - equipe de filmagem

3% - equipe de filmagem


Manada Completo

Manada Completo

À Deriva

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À Deriva, filme escrito e dirigido por Heitor Dhalia

Fui ver À Deriva achando que iria gostar. Vários motivos, mas o principal é que adoro filmes que se passam em períodos de férias na praia, ainda mais nos anos 70/80, quando famílias inteiras se mudavam para o litoral, do natal ao carnaval. Alimento fortíssimo pro imaginário de quem foi criança nessa época, as lembranças desse mundo salgado e ensolarado são material precioso pra explorar emoções, descobertas e transformações.
Depois de dois filmes mais “duros” (Nina e O Cheiro do Ralo), tudo que dizia respeito ao novo filme de Heitor apontava pra um filme delicado, emotivo, sensível. O cartaz, o elenco, as imagens de Búzios, a estréia em Cannes, o carinho com que os envolvidos no filme se referiam a ele.
Mas uma pulga me importunava a orelha: dos filmes brasileiros emocionais que tenho visto ultimamente, pouquíssimos abrem espaço na ação pra que a emoção se desenvolva. Roteiros são geralmente muito mais calcados na ação do que deveriam, o que pode ser um problema se o filme não quer ser um filme de ação. Mas escrever sobre os sentimentos que permeiam as ações, num roteiro, é bem difícil, correndo o risco dele ficar enorme e literário, o que é outro dos defeitos recorrentes nos roteiros. Daí que se o diretor não souber valorizar os entreatos, as entrelinhas, criar espaços, clima, convivência boba entre os personagens que determinem que tipo de relação eles têm e que pessoas eles são, o filme corre o risco de ficar superficial, fraco, débil.
Nesse aspecto, um diretor acostumado à publicidade pode derrapar feio. Não se exercita os espaços na publicidade. Briga-se heroicamente contra o tempo, tentando que a ação seja milimetricamente dividida nos planos que se apertam em exíguos 30s, fora o packshot. Por isso são tão raros os bons filmes emocionais na publicidade. É quase impossível emocionar em 30 segundos. Quantos comerciais emocionais já vi que funcionam na versão do diretor, aquela de 2 minutos que está no repertório dele, no site da produtora. Mas na TV vai a versão de 30, um filme de ação, mesmo que se queira fazer chorar.
Pois À Deriva é um filme emocional dirigido por um diretor criado na publicidade. Estão lá os tempos, os espaços, os silêncios necessários pra que se entenda e se sinta a qualidade emocional do filme, o drama de cada personagem, a relação deles com os outros, com o mundo, com eles mesmos.
Naturalmente não é isso que faz um filme ser bom, até porque esse seria apenas um dos apectos a se considerar. Mas fiquei bem feliz de reconhecer essa característica em À deriva, que tanto faz falta no cinema brasileiro contemporâneo e que sobra no cinema de nuestros hermanos argentinos.

Equipe forte no 3%

Os meninos do Manada estão trabalhando com nomes bem conhecidos do cinema, o Zé Bob na fotografia, o Fábio Goldfarb na direção de arte, Camila Grouch na executiva.
Muito bom, dá gosto de ver os garotos explicando o projeto pra eles, concentrados, seguros. Eles conhecem tanto o roteiro, estudaram, debateram, esmiuçaram, se embasaram, se referenciaram, viraram cada sequência de ponta cabeça. E todo mundo percebe, se encanta, e quer entrar no projeto. Morro de orgulho.

Manada!

Manada!

Manada!

A Maria Bonita ganhou 2 dos maiores editais do país, o FIC-TV, ficção para TV, com a série 3% ; e o ANIMA -TV, de animação para TV, com a série Nave Sub-D.
O mais incrível disso é que os 2 projetos, embora sejam de universos distintos, foram criados pelas mesmas pessoas. São os “Manada” , coletivo de criação e direção que é uma evolução dos Cromossomos, laboratório experimental da MB. Eram estudantes da USP já bem talentosos que vieram pra produtora desenvolver projetos experimentais – cresceram, apareceram e agora, ao mesmo tempo que se formam na faculdade, criam o Manada e ganham os 2 editais de uma vez! Sensacional!
Os pilotos dos 2 projetos estão em produção, a produtora tem uma turma profissionalérrima de cinema no terceiro andar e uma molecada imberbe de animação no porão! E os Manada pra cima e pra baixo feito uns loucos! Muito legal!

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Lô Politi

Blog pra falar (originalmente) de cinema, tv e publicidade. Mas agora tem também crônicas, viagens e aleatórios...

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