Arquivo para a categoria '7. aleatórios'

Patti Smith no Cannes Lions – fofa no palco, punk rock na coletiva

Me emocionei ao ver a Patti Smith no seminário da Grey no Festival de Cannes. Ela leu poesia, cantou, sorriu, contou histórias do delicioso livro dela (Só Garotos), enfim, foi um enorme privilégio estar ali naquele momento. Mas ela estava tão fofa, mas tão fofa, que era difícil vislumbrar ali uma das maiores estrelas mundiais do punk-rock. Por sorte, entrei sem querer na sala onde ela deu uma coletiva aos poucos e, esses sim, privilegiadíssimos jornalistas que dividiram com ela um cantinho apertado da sala de imprensa. Ali sim, defitivamente, a rainha do punk rock. O CCSP gravou e colocou no youtube. Imperdível.

Post originalmente publicado no Update or Die

Inspiração, referência ou cópia?

Tênue a linha que divide a inspiração da referência ou da cópia. A publicidade vive de referências. Além do quê, o publicitário é auto-referente, se alimenta principalmente de publicidade – sites, revistas, anuários, festivais, prêmios, a maior fonte de inspiração dos publicitários, infelizmente, é a própria publicidade. Incluo na categoria, além dos criativos, os diretores, fotógrafos, designers, enfim, todo mundo que pensa criativamente dentro da publicidade. Daí que a possibilidade de se “criar” algo em cima de uma referência que ele viu é enorme, mesmo que eventualmente ele mesmo não se dê conta. Nosso cérebro guarda e processa informações que um dia voltam ao mundo de algum jeito. Às vezes em forma de uma lembrança, realmente. Outras, levemente modificadas, como um pensamento inédito, uma idéia. Mas muitas vezes não são. Difícil julgar a idoneidade de alguém que apresenta uma idéia muito parecida com outra, se foi coincidência, se foi uma fatalidade ou se foi mau-caratismo mesmo…
O fato é que a semelhança de uma peça com outra pode se dar por 3 vias: Inspiração, referência ou cópia.

A inspiração é altamente saudável. Vemos algo que nos fascina, não necessariamente da nossa área de atuação, e nos deixamos influenciar por aquela experiência. Pode ser um filme, um quadro, uma música, um dia bonito, um sorriso.
Aquilo acaba fazendo parte da nossa formação, da nossa constituição, diz algo de quem somos, da razão pela qual estamos nesse mundo. E, como faz parte da gente, faz parte do que em nós cria o que criamos. Inspiração.

A refererência é parte da dor e delícia de viver num mundo globalizado. Temos acesso a tudo. Tudo! Sempre existe algo que se assemelha ao que queremos mostrar ou dizer. E a publicidade se apropriou desse expediente de forma irreversível. Como todo o processo envolve muito dinheiro, não se pode errar. A combinação entre as partes (principalmente com os clientes) do que vai ser feito tem que ser muito precisa, pra que não se arrisque o investimento. Como ilustrar e exemplificar o que vai ser feito de forma precisa se ainda não fizemos o trabalho? Ora, usando o trabalho dos outros. Assim simples. Vamos ao cliente com um monte de referências, usando o trabalho dos outros pra tentar fazer com que ele entenda o que nós queremos fazer. Pronto, está sacramentada a contaminação. Todos ali se alimentam daquilo. Por mais que se tente, não conseguimos mais nos descontaminar. Nem no trabalho que estamos fazendo naquele momento, nem nos posteriores. Vemos tanto aquela referência, falamos tanto sobre ela, discutimos tanto, que pra sempre ela fica impregnada na nossa mente. E, se está impregnada, acaba vazando no nosso trabalho. Mesmo sem que a gente queira, mesmo quando não nos damos conta.

A cópia se dá em várias situações, inclusive nessa citada acima, a apresentação de referências. Às vezes o cliente pede que façamos exatamente como a referência, pois ele já viu e já gostou daquilo, não quer arriscar que se mude o que ele já aprovou. Mesmo sendo uma peça que já existe, e que não é dele. Cria-se uma saia justa difícil de se resolver. E muitas vezes resolve-se pela cópia, mesmo, ainda que tente se dar o nome de referência. Não é. É cópia. E, pior, às vezes nem é o cliente que pede, é o realizador ou o criador mesmo que não consegue usar a referência pelo seu lado bom, a inspiração, e só consegue usá-la pelo seu lado ruim, a cópia.

Precisamos ampliar nossas referências, pra que elas sirvam como inspirações. Sair do universo em que atuamos e buscar alimento em universos mais amplos. Quanto mais aberta nossa mente ao novo, ao diferente, ao diverso, mais ela se amplia e mais espaço haverá para que as informações se processem e, ao se trasformarem dentro da nossa mente, consigam voltar ao mundo em forma de algo que seja de fato nosso, com a nossa marca, com a nossa mão, com a nossa alma.

A necessidade de falar de outras coisas (e de como abrir a mente evita o emburrecimento).

Me interesso muito por pessoas que usam parte do seu tempo pra se dedicar a outras coisas na vida além da sua atividade principal. A pessoa que arranja tempo pra fazer aula de culinária, violão, filosofia. Que escreve um livro, faz um filme, pinta um quadro, mesmo sendo dentista, engenheiro ou psicanalista. E leva a sério. Aliás, sempre que tem um filme feito por alguém que não é prioritariamente cineasta, eu corro pra ver. Como o filme feito pelo Caetano Veloso. Ou pela dupla de arquitetos Isay Weinfeld/Marcio Kogan. Me interessa muito ver como pessoas que vivem majoritariamente expostos a diferentes estímulos que não o cinema, se expressam através de um filme. Acho que fazer coisas que não tem nada a ver com o que a gente faz, enriquece nosso processo criativo e abre nossas mentes com novos e diferentes estímulos e acaba por nos tornar até mais inteligentes, já que permitimos que nosso cérebro descubra outros caminhos, faça sinapses inéditas e amplie nossa capacidade de pensar, criar e viver melhor.
Enfim, tudo isso pra dizer que tenho tido vontade de falar de outros assuntos aqui nesse blog que não somente cinema, publicidade e afins. A partir de amanhã, reservarei as sextas-feiras pra postar escritos que nada tenham a ver com esses temas, na maioria crônicas que tenho escrito ao longo da vida para os mais variados fins. Somente às sextas, prometo. Pra dar uma relaxadinha no final de semana.

cinema falado
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Uma semana fora e nenhum post! Mas estive a metros de Brad Pitt e Tarantino…

Passei uma semana desfrutando de um final de verão chuvoso na Espanha e na França. O mais próximo que cheguei de pensar em trabalho, cinema, filmagens e tal, foi ter sido obrigada a parar meu carrinho no meio da rua em San Sebastian para dar passagem ao carrão que trazia Brad Pitt do aeroporto ao Hotel Maria Cristina – onde Tarantino já o esperava pra coletiva de “Inglorious Bastards”, que passaria naquela noite no Festival de Cinema de San Sebastian. Achei que isso já estava bom pra mim em termos de cinema, festival e tal, e segui reto pra desfrutar do verão chuvoso em Biarritz que, embora pareça uma cidade eternamente em festival de cinema, não havia nada que me lembrasse trabalho. A não ser uma ressaca fabulosa no mar feroz que fez de Biarritz, pra mim, uma das cidades mais cinematográficas que eu já visitei na vida.
Bom, tudo isso pra tentar amenizar o fato de que estava de férias e não postei nada no blog durante esses dias. Prometo compensar.

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Biarritz cinematográfica 1

Biarritz cinematográfica 1

Biarritz cinematográfica 2

Biarritz cinematográfica 2

Queria ter ido à Bienal de Veneza? Seus problemas acabaram!

O Marcello Dantas foi. Veja esse video delicioso, feito a partir de fotos. Aproveite e veja outros videos postados por ele no youtube, todos muito bacanas. E não perca nada do que ele faz, ou pensa, ou dirige, ou é curador. Foi ele que concebeu o Museu da Lingua Portuguesa, os 50 anos de TV na Oca, muitas exposições de arte, grandes exposições históricas e documentários premiadíssimos. No site dele tem tudo. Vai lá! www.magnetoscopio.com.br


Lô Politi

Blog pra falar (originalmente) de cinema, tv e publicidade. Mas agora tem também crônicas, viagens e aleatórios...

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