Textos categorizados 'cinema'

Filme da Semana – Clipe – Insanidade Temporária!

Fazia tempo que eu não via um bom clipe de música feito por um diretor de publicidade… Durante muito tempo boa parte das referências que buscávamos estavam nos clipes, feitos com liberdade e criatividade. Mas, desde que a MTV deixou de ser vitrine dos bons clipes nacionais, diretores e gravadoras perderam um pouco a vontade de realizar clipes com produções caras e bem cuidadas. Hoje investe-se mais no DVD, que tem carreira própria e é um produto vendável e lucrativo – ao contrário do nosso velho clipe que tem um aspecto mais “promocional” que comercial. Antes, diretores e produtoras se matavam pra fazer um clipe com qualidade muito acima do que as verbas permitiam, pra ter a chance de se mostrar pro mercado sem as amarras naturais que agência e cliente impõe aos comercias e de lambuja ainda corriam o risco de aparecer bem na foto em cima do palco do VMB. Hoje todos pensam duas vezes antes de investir tempo e dinheiro na produção de um clipe bem realizado e criativo. Todos? Não, nem todos. Alguns diretores ainda são inquietos o suficiente pra convencer suas produtoras a disponibilizar técnicos, equipamento e um tanto de grana pra que eles consigam realizar algo fora da rotina, fora do protocolo. Bom pro diretor e pro mercado, que tem aí uma maneira de ver até onde o talento desses diretores pode chegar sem correr o risco de perder um cliente…
Bom, a música desse clipe é um sucesso estrondoso no show que Marisa Orth vem fazendo pelo Brasil no último ano. Sua interpretaçao almodovariana pra música ainda mais almodovariana do André Abujamra e do Flávio de Souza, encontrou a sua traducao perfeita nas mãos da Ivy Abujamra. Insanidade Temporária é delicioso de ver, ouvir e, atenção publicitários, se refenciar!

direção Ivy Abujamra, fotografia Heloísa Passos, arte Clô Azevedo, produção Bossa Nova Films, música André Abujamra e Flávio de Souza

Robert McKee no Brasil! Who wants to be a millionaire, oops, sorry, a scriptwriter?

Você viu “Adaptação”, certo? Filme escrito pelo Charlie Kaufman e dirigido por Spike Jonze, mesma dupla de “Quero ser John Malkovich”, filme que revelou ao mundo a turma de cinema mais legal da atualidade. Uma gente que se espalha e se reveza nas fichas técnicas dos filmes que de fato trouxeram uma lufada de ar fresco ao cinema contemporâneo. No espetacular roteiro de “Adaptação”, o personagem que é um roterista genial (o próprio Kaufman) está em crise com o roteiro que está escrevendo e recorre ao irmão gêmeo que é roteirista amador (personagem fictício) e segue os preceitos do professor de roteiros Robert McKee, que o irmão roteirista genial em crise classifica como fórmula e sucessão de clichês. Mas no final ele mesmo recorre a McKee e o filme reforçou em mim a crença de que é ótimo e necessário tentar ser original e genial, mas é bem proveitoso conhecer os preciosos ensinamentos de McKee, mesmo que seja pra depois esquecê-los e virar de fato um gênio original, mas um gênio original com base.
Bem, Robert Mckee está no Brasil com seu Story, seminário de quatro dias em que ele fala pelos cotovelos, não deixa ninguém dar um pio e cobra multas de dez dolares do dono de cada celular que tocar no meio da aula. E, naturalmente, nenhum celular toca. O homem é um show-man, tem uma voz encantadora e consegue manter uma platéia absolutamente atenta ao seu charme por quatro dias seguidos, por dez horas ininterruptas a cada dia. Bem, não sou exatamente uma roteirista, mal saí das fraldas nesse sentido, mas posso dizer com a certeza dos inocentes: o curso é ótimo. Fiz esse Story workshop do McKee em São Francisco/California dois anos atrás e posso garantir que vale muito a pena.
McKee se gaba de ensinar sobre forma, não sobre fórmulas. De fato, é o que ele faz ao passar os olhos por mais de 100 filmes de diferentes gêneros, épocas e estilos. Mas, no final, querendo ou não, isso tudo colocado em linha, em forma de seminário, livro ou audiobook, acaba realmente fazendo o papel de fórmula – e você se lembra disso cada vez que abre o utilíssimo livro dele pra lembrar em que página mesmo deve acabar o primeiro ato ou quantos minutos o filme ainda pode ter depois do clímax do terceiro ato. Mas isso, longe de ser um problema, é uma benção. Sempre achei que pra se destacar em qualquer coisa é preciso primeiro conhecer muito bem o que já se sabe por aí, pra então dar o seu pulo do gato e tentar superar o que já foi feito. Existem naturamente gênios brutos, que se alimentam exclusivamente de sua mente, sem influências externas nem conhecimento histórico. Gente cuja mínima manisfestação de genialidade revoluciona o mundo até então conhecido. Claro que existe, mas são poucos e raros. Me parece muito mais provável que um novo talento se disponha a estudar o que já se conhece e, em cima disso, seu gênio arrebente a portinha da gaiola e esparrame seu talento pelo mundo.

Especialmente bom no curso é o ultimo dia, quando McKee projeta e disseca cada pedacinho de Casablanca, cena por cena. E não há como não se encantar por aquilo, aquele filme, aqueles atores, aquele roteiro incrível e aquele homem charmoso demonstrando beat por beat todos os pontos e argumentos que ele levantou durante os quatro dias de curso. E na saída, pra vender, está o roteiro de Adaptação com comentário de Robert McKee. O roteiro é praticamente a antítese de Casablanca, assim como Charlie Kaufman é praticamente a antítese de Robert McKee. Adaptação é um filme tão dúbio que ao mesmo tempo tira um sarro e presta uma homenagem a esse estudioso que é o avesso da moeda de Charlie Kaufman, o gênio que arrebentou a portinha da gaiola. Entre o sarro e a homenagem, McKee escolheu ficar com a homenagem… Muito propriamente.

Mais informações sobre o workshop de McKee no Brasil aqui.

E a entrevista que ele mesmo usa no site de divulgação do seminário, bem ilustrativa:

Manada e o 3% – Reflexões sobre talento, investimento e de como podemos contribuir pra esse mundo…

O piloto do 3%, projeto finalista do FIC-TV, desenvolvido pelo Coletivo Manada e produzido pela Maria Bonita, está pronto. Já falei sobre esse projeto em posts anteriores: aqui e aqui.
Ontem foi apresentado pra toda a equipe e colaboradores. Difícil descrever o fascínio e o orgulho estampado no rosto de cada um. Algumas coisas me dão bastante orgulho na história da Maria Bonita. Mas o projeto Cromossomos, cujos integrantes evoluíram, se emanciparam e formaram o Manada, que agora diz a que veio com o 3%, resume o espírito com que a produtora foi criada e desenvolvida. Apostar em novos talentos é o que todo mundo sabe que deve fazer, torcendo pra que logo o investimento possa dar retorno, além de renovar a imagem de uma produtora. Mas dificilmente se “arrisca” algo além de um salário de estagiário, esperando que um dia o potencial novo talento se revele um gênio e salte de dentro dele algo incrível e inovador. Isso até poderia acontecer, claro, se ao menos desse tempo… já que o que se dá realmente de oportunidade pra ele é, por exemplo, passar o dia fazendo back-up… Dar ferramentas e criar ambiente fértil em torno desses talentos iminentes é muito mais raro do que gostaríamos. Não deveria ser. Algumas produtoras, bem poucas, acreditam e investem realmente nisso. E, garanto, o retorno pode ser muito gratificante. Mas o investimento tem que ser inteligente e não exatamente econômico, pra que o talento que ainda não é óbvio realmente brote. Precisa ter olho pra identificar as potencialidades, tempo pra que essas sementes e se organizem e cresçam, estrutura pra que os galhos não se quebrem no caminho muitas vezes tortuoso, ferramentas pra que os frutos brotem saudáveis e bonitos e, principalmente, espaço pra que tudo isso floresça. Espaço interno, principalmente, dentro da gente, pra reconhecer e potencializar o talento dos outros. Desfrutar de um ambiente fértil e livre é benéfico e necessário pra todo mundo, pra que o talento dos outros aflore e isso renove também o nosso. Talvez assim a gente sinta que tem algo de bom pra contribuir com esse mundo.

(o outro projeto do Manada, o Nave Sub-D, finalista do AnimaTV e desenvolvido paralela e simultaneamente ao 3%, também está com seu piloto quase pronto. Falo dele no num próximo post…)

Manada Completo

Manada Completo

Nelson Motta e o doc do Joãosinho Trinta… Pras massas!

Super orgulhosa do “A Raça Síntese de Joãosinho Trinta” que, depois de ter feito as platéias do Festival do Rio e da Mostra de São Paulo ovacionarem um Joãosinho emocionadíssimo, foi tema da coluna de Nelson Motta no Jornal da Globo. O bacana é que o Nelson fala com tanto carinho e respeito do Joãosinho que dá realmente muita vontade de ver o filme e, principalmente, muita vontade de aplaudir o maior ícone que o carnaval do Brasil já teve. É bom porque um jornal da Globo, mesmo tarde da noite, atinge uma massa de gente que um documentário, por melhor que seja, dificilmente alcançaria. Me emociono muito cada vez que vejo o doc e fico muito orgulhosa de ter participado de um filme que ajuda um pouquinho a lembrar o Brasil da importância do Joãosinho pra cultura e pro imaginário do nosso país. Ano que vem o Paulo Machline vai rodar o longa ficção, “Trinta”, com Matheus Nachtergaele no papel de Joãosinho. Uau. Sentiu?

veja o video do Jornal da Globo aqui

veja post anterior sobre o doc aqui

Trinta_baixa

Orgulhosíssima! Raça Síntese de Joãosinho Trinta no Festival do Rio e na Mostra de Cinema de São Paulo.

Estou orgulhosíssima de fazer parte da produção do documentário longa-metragem A Raça Síntese de Joãosinho Trinta, dirigido pelo Paulinho Machline e Giuliano Cedroni. O doc é um delicioso e emocionante aperitivo pro longa ficção que o Paulinho vai filmar no ano que vem e que, assim como o doc, conta a história de um cara inacreditável, um personagem ícônico fortíssimo que compõe o nosso imaginário, a nossa arte, a nossa estética. O filme estréia no domingo dia 4 no Festival do Rio, no Odeon, com a presença do Joãosinho e, espero, do Rio de Janeiro inteiro, que tem a oportunidade de prestar homenagem a quem mais contribuiu na história pra colocar o carnaval do Rio no lugar a que um dia chegou. Joãosinho tem 75 anos e vive em Brasília, longe da avenida que o consagrou. Espero de coração que a cidade retribua pelo menos em parte tudo que ele fez pelo Rio e pelo carnaval e que compareça em peso pra ver o rei do carnaval no tapete vermelho do Cine Odeon. Por enquanto divido com vocês o lindíssimo cartaz com foto feita especialmente por Vik Muniz.

Trinta_baixa

direção Paulo Machline e Giuliano Cedroni, produzido por Maria Bonita Filmes e Primo Filmes, produção Paulo Machline, Joana Mariani e Lô Politi, prod executiva Joana e Lô (com Aza Pinho), montagem Jair Peres, Fernando Honesko, Oswaldo Santana e Duda Izique, trilha André Abujamra

Uma semana fora e nenhum post! Mas estive a metros de Brad Pitt e Tarantino…

Passei uma semana desfrutando de um final de verão chuvoso na Espanha e na França. O mais próximo que cheguei de pensar em trabalho, cinema, filmagens e tal, foi ter sido obrigada a parar meu carrinho no meio da rua em San Sebastian para dar passagem ao carrão que trazia Brad Pitt do aeroporto ao Hotel Maria Cristina – onde Tarantino já o esperava pra coletiva de “Inglorious Bastards”, que passaria naquela noite no Festival de Cinema de San Sebastian. Achei que isso já estava bom pra mim em termos de cinema, festival e tal, e segui reto pra desfrutar do verão chuvoso em Biarritz que, embora pareça uma cidade eternamente em festival de cinema, não havia nada que me lembrasse trabalho. A não ser uma ressaca fabulosa no mar feroz que fez de Biarritz, pra mim, uma das cidades mais cinematográficas que eu já visitei na vida.
Bom, tudo isso pra tentar amenizar o fato de que estava de férias e não postei nada no blog durante esses dias. Prometo compensar.

brad-pitt-san-sebastian-24san-sebastian

Biarritz cinematográfica 1

Biarritz cinematográfica 1

Biarritz cinematográfica 2

Biarritz cinematográfica 2

Jonas e a Baleia – terceiro tratamento do roteiro

Terminei o terceiro tratamento do roteiro de Jonas e a Baleia. Queria diminuir (em relação ao segundo, feito pelo meu parceiro Élcio Verçosa) o número de páginas e tempo da ação. Quanto ao número de páginas, recebi com 153 e estou entregando com 129. Ainda acho grande, mas desconfio que seja porque ainda é muito descritivo, literário. Fico na dúvida de tirar completamente essas descrições, que fazem entender o universo dos personagens e a natureza das relações entre eles. Esse é um filme de emoções intensas que levam a um desfecho trágico. Se quem lê não entende o que em outro caso seriam as entrelinhas do roteiro, não entenderá o que leva ao desfecho do filme. A ação é desencadeada por um acidente ambíguo que se desdobra numa tragédia de erros. Como se restringir a descrever uma ação fria num filme que fala de confiança e traição, amor e ilusão, da dor de uma criança que trai o irmão pra protegê-lo, de uma adolescente inteligente e bem formada que se expõe ao perigo pra preencher o vazio de sua vida e, principalmente, de um garoto cuja beleza e carisma fazem dele um príncipe deslocado em seu mundo, mas não lhe dá acesso ao mundo com o qual ele sonha? Enfim, sofri com esse dilema nas últimas 2 semanas, debruçada sobre o roteiro dia e noite. Resolvi manter as descrições emocionais e psicológicas, mas economizar nas descrições de ação propriamente dita, agora mais enxutas e objetivas. Acho que o resultado está ficando bem bom. Mas ainda gostaria de diminuir mais algumas páginas, pra que seja mais fácil de ler o roteiro. Missão essa que devolvo agora pro meu parceiro Élcio, que revisará o terceiro tratamento ou fará o que espero que seja o quarto e último, dessa fase. Os próximos passos agora são terminar o orçamento a partir da análise técnica que foi feita já com o segundo tratamento, colocar na lei, nos editais, captar, polir o roteiro e filmar. Hahaha. Assim fácil.

roteiro dividido por dias da semana no tempo da ação

roteiro dividido por dias da semana no tempo da ação

Sala de Roteiro para Jonas e a Baleia

Jonas e a Baleia ganhou uma sala de roteiro na Maria Bonita. Acabamos de passar por uma fase de discussões intensas sobre cada cena, o encadeamento e a real necessidade de cada uma delas. Resolvemos então pendurar na parede todo o roteiro dividido por cenas, além fazer um board com quadradinhos contendo o resumo de cada uma e um outro com a ação dividida por dia da semana, dentro do tempo físico em que se desenvolve a nossa história (o filme se passa em 11 dias). Com isso ganhamos um espaço que permite o silêncio necessário pra quem escreve e a privacidade necessária pra quem discute. Nesses dias tenho sido a única ocupante da sala, já que a bola nesse momento está comigo. Recebi do Élcio (Verçosa Filho) o segundo tratamento do roteiro, fiz um revisão cuidadosa e discuti com ele cada cena. Agora está na minha mão a difícil missão de reescrever o texto e cortar uns 20% da ação e, no mínimo, umas 30 páginas. O segundo tratamento veio com 153 páginas, na revisão eu já tirei 11 e nesse terceiro tratamento pretendo diminuir mais 20, pelo menos. Difícil missão… Tentarei ser menos literária que o Élcio, que escreve imensamente bem e usa esse talento pra descrever, misturado à ação, as sensações, sentimentos e emoções de personagens que falam pouco mas sentem muito. Sinto que esse trabalho, nessa fase, serviu mais a nós, roteiristas, e a mim, diretora, do que ao roteiro propriamente – pra que entendamos exatamente o universo dos personagens e do filme que estamos desenvolvendo. Agora que demos essa volta, tão proveitosa pras nossas funções, vou tentar restringir ao roteiro o que é do roteiro.

quadradinhos no board

quadradinhos no board


o roteiro todo do outro lado

o roteiro todo do outro lado


sozinha

sozinha


com o Élcio

com o Élcio

À Deriva

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À Deriva, filme escrito e dirigido por Heitor Dhalia

Fui ver À Deriva achando que iria gostar. Vários motivos, mas o principal é que adoro filmes que se passam em períodos de férias na praia, ainda mais nos anos 70/80, quando famílias inteiras se mudavam para o litoral, do natal ao carnaval. Alimento fortíssimo pro imaginário de quem foi criança nessa época, as lembranças desse mundo salgado e ensolarado são material precioso pra explorar emoções, descobertas e transformações.
Depois de dois filmes mais “duros” (Nina e O Cheiro do Ralo), tudo que dizia respeito ao novo filme de Heitor apontava pra um filme delicado, emotivo, sensível. O cartaz, o elenco, as imagens de Búzios, a estréia em Cannes, o carinho com que os envolvidos no filme se referiam a ele.
Mas uma pulga me importunava a orelha: dos filmes brasileiros emocionais que tenho visto ultimamente, pouquíssimos abrem espaço na ação pra que a emoção se desenvolva. Roteiros são geralmente muito mais calcados na ação do que deveriam, o que pode ser um problema se o filme não quer ser um filme de ação. Mas escrever sobre os sentimentos que permeiam as ações, num roteiro, é bem difícil, correndo o risco dele ficar enorme e literário, o que é outro dos defeitos recorrentes nos roteiros. Daí que se o diretor não souber valorizar os entreatos, as entrelinhas, criar espaços, clima, convivência boba entre os personagens que determinem que tipo de relação eles têm e que pessoas eles são, o filme corre o risco de ficar superficial, fraco, débil.
Nesse aspecto, um diretor acostumado à publicidade pode derrapar feio. Não se exercita os espaços na publicidade. Briga-se heroicamente contra o tempo, tentando que a ação seja milimetricamente dividida nos planos que se apertam em exíguos 30s, fora o packshot. Por isso são tão raros os bons filmes emocionais na publicidade. É quase impossível emocionar em 30 segundos. Quantos comerciais emocionais já vi que funcionam na versão do diretor, aquela de 2 minutos que está no repertório dele, no site da produtora. Mas na TV vai a versão de 30, um filme de ação, mesmo que se queira fazer chorar.
Pois À Deriva é um filme emocional dirigido por um diretor criado na publicidade. Estão lá os tempos, os espaços, os silêncios necessários pra que se entenda e se sinta a qualidade emocional do filme, o drama de cada personagem, a relação deles com os outros, com o mundo, com eles mesmos.
Naturalmente não é isso que faz um filme ser bom, até porque esse seria apenas um dos apectos a se considerar. Mas fiquei bem feliz de reconhecer essa característica em À deriva, que tanto faz falta no cinema brasileiro contemporâneo e que sobra no cinema de nuestros hermanos argentinos.

Jonas e a Baleia – Rumo ao segundo tratamento

O primeiro tratamento do roteiro de Jonas e a Baleia ficou bom. Ainda falta muito, mas ficou bom. A conclusão que chegamos é que a estrutura está toda pronta, a ação determinada. Com essa cama pronta, falta agora aprofundar o filme, ganhar musculatura espiritual, como diz o Elcio, ou qualidade emocional, como digo eu. De qualquer jeito faltam os silêncios, os espaços, o desenvolvimento e aprofundamento da relação entre os personagens. A sintonia fina dos sentimentos.
Era esse mesmo o plano – ter um desenho da ação bem determinado, sólido, pra que a gente não duvide da história, do estabelecimento, e acredite naquela situação. Agora, próximo passo, é fazer com que a gente acredite naqueles personagens que estão naquela situação. Durante o mês de agosto o Elcio fica exclusivamente dedicado ao roteiro. Eu vou lendo e comentando conforme ele for escrevendo, pra que os comentários sejam incorporados ao roteiro antes dele ser fechado.
Quando cada cena, ou sequência, ou ato, estiverem prontos, ponho eu mesma a mão na massa pra transformar aquelas palavras em palavras mais precisas pra o filme que eu quero filmar. Me parece um bom método. Vamos vendo.

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Lô Politi

Blog pra falar (originalmente) de cinema, tv e publicidade. Mas agora tem também crônicas, viagens e aleatórios...

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