Esse é o filme para internet. O filme pra TV está abaixo. Também é bom, idéia excelente, bem realizado e tal. Mas nada supera o deleite de assistir o clipe acima. Isso sem falar no bom humor de Anderson Silva em ter topado fazer essa campanha, aceitando o sarro que o mundo tira da sua voz fina. E olha que, ao contrário do Biafra, ele não está exatamente precisando dar um up na sua carreira…
direção Luís Mermet / Mayra Gama, produção PBA Cinema, criação Ogilvy Brasil
Já escrevi aqui sobre o Nando Olival, um dos meus ídolos na direção de filmes publicitários. Fiquei ainda mais fã dele quando soube que ele parou de dirigir publicidade pra se dedicar ao seu primeiro longa, bancado por ele mesmo. O filme chama “Os 3″ e já está saido do forno (trailer aqui). Desde então ele filma apenas alguns projetos especiais de publicidade, filmes que sejam a cara dele ou filmes nos quais sua direção faça a diferença. Como esse. Não consigo pensar em nenhum outro diretor que faria esse filme tão bem feito como o Nando. Essa leveza, esse ritmo, essa atuação e sobretudo essa cara de filme bem feito – bonito, bem cuidado, bem acabado e que não escorrega no publicitês, nas concessões que se faz ao apelo publicitário em detrimento da qualidade e da verdade do filme – na ilusão de que não se arranha o conteúdo. Arranha sempre. Arranha muito. Raros são os clientes e as agências que tem essa consciência. E olha que esse filme nem é pra TV. Investimento altíssimo em qualidade e conteúdo pra mídias alternativas. Incrível. O mundo está mudando, graças a deus…
direção Nando Olival, fotografia Ricardo Della Rosa, produção O2, criação Africa
Adendo ao post original:
Eduardo e Mônica, 10 anos atrás – A polêmica com o filme da ATL
Três dias depois de postado, Eduardo e Mônica da Vivo já tem 3 milhões de views no youtube e uma polêmica bem chata. Descobriu-se um filme anterior com a música, também de uma operadora (ATL), com a mesma pegada. Não quero entrar nessa discussão, primeiro porque acredito em coincidências mas, principalmente, porque vendo o filme da ATL minha admiração pelo filme da Vivo cresceu ainda mais… Explico: Ao comentar que o filme dirigido por Nando Olival tem o mérito de não escorregar no publicitês (as concessões que se faz ao apelo publicitário em detrimento da qualidade e da verdade do filme) não imaginei que o exemplo contrário viria assim tão rápido e me serviria de demonstração de forma tão didática. O filme da ATL faz justamente isso: Compraram os direitos de uma música tão absolutamente identificada com a juventude do país e mudaram a letra(!!!) pra não correr nenhum risco de ter a marca associada a hábitos que são comuns aos consumidores jovens mas que podem ser “perigosos” se associados a uma marca… O casal do filme é asséptico, não faz nada errado, Eduardo é lindo e loiro, a música foi editada e a letra modificada pra conter só as partes “boas” e politicamente corretas da relação de Eduardo e Mônica. Concessão ao publicitês, que esfria o filme e corta qualquer possibilidade de identificação com aquele casal de filme publicitário. Exato o contrário do que acontece no filme da Vivo, com a letra real, um casal normal, um Eduardo quase esquisito (como a imensa maioria dos adolescentes…) e a consequente identificação imediata com o casal, com o filme e, bingo, com a marca…
Sou usuária feliz do Chrome e também fã do Google (umas quatro ou cinco posições atrás da Apple no meu ranking pessoal de empresas cool). Dessa vez os caras conseguiram, ao mesmo tempo, colocar um ultra-eficiente comercial do Chrome em horário nobre da TV americana (Fox, no intervalo de “Glee”), apoiar uma causa pra lá de nobre e emocional, puxar para si um dos maoires astros do youtube (Dan Savage) e, se gastaram alguma graninha, talvez com direitos e tal, foi bem pouquinho. Um video pronto do youtube, com linguagem contemporânea e pernitente ao público que quer atingir, emocionante, engajado e muito bem feito. E pra botar o filme na TV bastou um UPLOAD YOUR VIDEO.
O Reclame fez uma pesquisa entre criativos de qual seria o melhor filme do ano. Deu Cachorro-Peixe. Várias menções a Carousel, da Philips, e T-Mobile Dance, mas a maioria escolheu o filme da Almap pra Space Fox. Quando a pergunta veio pra mim, sinceramente, não tinha dúvida nenhuma. Pra mim Cachorro-Peixe é de longe o melhor filme do ano, se não no mundo, com certeza no Brasil. O ano foi péssimo pro cinema publicitário. Em tempos de crise, o mercado se retrai e os clientes acabam optando por filmes mais funcionais, com medo de arriscar em filmes mais criativos. Uma pena, porque acaba achatando a criatividade e nivelando tudo por baixo. Pudemos ver um reflexo claro disso no festival de Cannes, onde o único leão de ouro foi justamente pra Cachorro-Peixe que, além de criativo, bonito e bem realizado, é também funcional, mostrando carro, espaço interno, beleza, features, tudo que deixa um cliente tranquilo num ano de crise. Pena que ainda não são todos os clientes que entendem que, principalmente em tempos de crise, um bom filme é ainda mais necessário. E ainda mais funcional.
Cachorro-Peixe é um filmaço. Tomara que o ano que vem seja generoso com a gente em filmes bons como esse.
direção Armando Bo, fotografia Cristian Cottet, produção Rebolucion, trilha Hilton Haw, criação AlmapBBDO