Minha coluna do rádio – BandNews FM -segundas – 20:20.
Escute a de 09/11/09 – MAxHaus – Le Cliché:
Veja post anterior sobre o filme aqui.
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Escute a de 09/11/09 – MAxHaus – Le Cliché:
Veja post anterior sobre o filme aqui.
Estava aqui no Rio quando foi anunciado que a cidade seria sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Não há como não falar dos filmes feitos pela O2 pra canditatura do Rio que, seguramente, ajudaram e muito a cidade a ter sido escolhida. Se eu tinha alguma dúvida de que essa cidade tão linda e tão mal tratada deveria ou não ganhar essa disputa, vendo os filmes as minhas dúvidas se dissiparam completamente. As imagens são tão arrebatadoras que a gente acaba concluindo que o Rio nasceu pra ser sede olímpica. Além da qualidade indiscutível dos filmes, a campanha também tira uma lasquinha do reconhecimento internacional do Fernando Meirelles, dizendo aos quatro ventos que foram dirigidos por ele. Como muitos projetos da O2, os filmes são dirigidos por vários diretores da produtora, encabeçados por Fernando Meirelles, que assina a direção artística do projeto. Mas esse, especialmente, “Passion”, que me parece o principal da campanha, foi dirigido pelo Nando Olival, um dos mais longevos, criativos e talentosos diretores da O2. O Nando é um dos meus ídolos na direção de filmes desde sempre. O tempo passa e ele consegue ser constantemente bom, leve, moderno e contemporãneo, independente do tipo de filme que lhe caia nas mãos. Trafega bem na piada, nos filmes emocionais, na direção de atores, nos filmes de fotografia e arte. Eu acho até meio injusto que o mérito vá quase todo pro Fernando no caso desse filme mas, por outro lado, isso demostra que a O2, além de ser uma das maiores produtoras do país, se não a maior, é também uma das mais inteligentes. Agregar o talento e o carisma do Fernando aos outros filmes e diretores da O2, faz com que tudo que saia de lá tenha uma pré-disposição automática de aceitação por parte de agências e clientes, que querem seus produtos e filmes ligados de alguma maneira a ele, tamanho o talento e o carisma que ele tem. Os diretores mais novos, sobretudo (que nem de longe é o caso do Nando Olival), são super beneficiados por isso – o aval do Fernando abre portas pra todo mundo. Mas o mais bacana é que a gente percebe que não é só a assinatura dele que está lá. Dá pra ver a mão e a cara do Fernando em tudo o que sai da O2, fazendo com que a imagem da produtora seja impecável, inclusive entre a concorrência. Mérito do Fernando e também do time de diretores de primeiríssma linha que a 02 tem, como por exemplo, meu ídolo, Nando Olival.
direção Nando Olival, co-direção César Charlone, Renato Rossi e Rodrigo Meirelles, direção artística Fernando Meirelles, fotografia Alexandre Ermel, César Charlone e Fábio Burtin, montagem Daniel Rezende e Raimo Benedetti, trilha Antônio Pinto, produção O2, criação Five Currents
Putz, tô ficando meio mal de falar de filme brasileiro dirigido por diretor gringo. Já falei do La Fortuna, o filme de Saveiro da pipoca, dirigido pelo Luciano Podcaminsky, argentino. Agora tem esse de Mini Bis dirigido pelo Brian Billow, americano. Tudo bem que a produção é brasileira, filmado no Rio, mas fato é que de novo o filme que mais me chama a atenção na semana é dirigido por um diretor de fora… Bom, o filme é bem simples, provavelmente barato e tremendamente bem realizado. Timing de atuação perfeito, casting que trafega no exato fio da linha que divide o esquisito do interessante, fotografia e arte despretensiosas, o que faz com que a gente preste atenção nos atores e somente nos atores. Roteiro sem diálogos para um filme de narrativa – sonho de diretor que gosta de contar histórias, de usar recursos de atuação e cinematografia pra desenvolver o filme, de modo que se possa inclusive prescindir de falas, diálogos e explicações.
Mas, puxa, não tinha ninguém aqui pra dirigir esse filme?
Eu, pessoalmente, na contramão de quase todos os meus pares e colegas, continuo com a mesma opinião: quanto mais filme bom passa no intervalo do Fantástico, melhor é o nível da nossa publicidade. Melhora o público, melhora a produção, melhora a criação, melhora o cliente. É um círculo virtuoso que enriquece o mercado e ajuda a nivelar por cima. E o olhar de um diretor de fora, com a sua cultura sobre a nossa cultura, a mistura das referências, das bagagens, das experiências, enfim, a influência de uma cultura sobre a outra, enriquece o produto final, que é o filme que a gente vê na TV. Mas é claro que dá uma raivinha quando um roteiro bom vai pra um diretor de fora. Principalmente em épocas de produção espremida, de poucos filmes e sobretudo de pouquíssimos filmes bons. O problema não é que bons filmes vão pra diretores de fora. O problema é que, hoje em dia, bons filmes são poucos. E bons diretores são muitos.
direção Brian Billow, fotografia Vitor Amati, produção Hungry Man Brasil, criação Ogilvy
Semaninha fraca de filmes novos… Me resta falar de filmes bons com fórmulas consagradas. A campanha de Havainas tem mais ou menos a mesma fórmula há anos e continua um sucesso. Filmes bonitos, divertidos, gostosos de ver. Sempre com atores conhecidos da televisão. Pra mim, o grande diferencial é que os atores são bem aproveitados. Estamos acostumados a ver filmes com “celebrities” cujos roteiros se apóiam não numa boa ideia, mas apenas no fato daquela personalidade estar ali. O resultado são filmes totalmente sem graça, em que o ator está ali só pra dar o serviço, quase um lettering animado. E às vezes chega a ser até constrangedor, com um ator da novela (cantor, jogador de futebol, exbigbrother…) sorrindo amarelo e falando em nome de determinada marca, se colocando como “nós, da marca tal”, como se alguém pudesse pensar que ele trabalha lá! Aborrecido e constrangedor. Não é nem de longe o caso desses filmes de Havaianas – os filmes tem uma ideia e os atores estão sempre atuando, o que é justamente o que eles fazem de melhor. Os roteiros são historinhas descompromissadas que entretêm, fazem você prestar atenção e se identificar com aquela marca – como deveria ser da natureza dos comercias de TV. Não é de se admirar que a velha fórmula de Havaianas não se desgaste – ideias simples e boas, bem realizadas. E bem dirigidas. Desde sempre esses filmes vem sendo dirigidos pelo especialista Clovis Mello, por quem todo ator ” celebrity” quer ser dirigido em comerciais – garantia de um filme bom e bem cuidado e de uma filmagem rápida e tranquila. Garanto que isso não é pouco e não acontece à toa. E a fórmula não se desgasta. Porque é boa.
direção Clovis Mello, fotografia Fernando Oliveira, produção Cine, criação AlmapBBDO
Mais um filme de VW da Almap feito pela Rebolucion, produtora argentina que já tinha produzido “cachorro-peixe”, pra mesma agência e pro mesmo cliente – único leão de ouro do Brasil em Cannes esse ano. Só isso já justificaria repetir a dobradinha… Mas duro vai ser aguentar o chororô das produtoras brasileiras, que não gostam de ver um filme grande de uma agência bacana ser produzido fora, muito menos com produtora argentina! Bem, choremos então. O filme é lindo, o diretor é excelente, e as locacões… bem, as locações são no Uruguay. O que realmente nos deveria doer é o fato do Uruguay não estar para São Paulo como está para Buenos aires- do outro lado do rio. Colonia do Sacramento, por exemplo, onde foi feito esse filme, é uma pérola tombada pelo patrimônio histórico que fica do outro lado do Rio da Prata, por onde se chega em 1 hora de barco! Francamente…
Filmar no Uruguay tem sido a escolha de dezenas de diretores da Argentina, do Brasil e do mundo inteiro. Está se formando ali um esquema de production services em grande escala pra atender essa demanda e o país está se tornando o grande estúdio a céu aberto da América do Sul. Esse filme, de narrativa e cinematografia épica, dificilmente teria resultado tão bom se fosse filmado no Brasil.
Agora, será que ficaria tão bom se fosse feito por diretor e produtora brasileira? Provavelmente sim. Como, aliás, vários dos filmes anteriores da mesma agência e do mesmo cliente, inclusive filmados também no Uruguay.
Quero crer que essas escolhas são feitas mais por afinidades específicas entre criação, direção e produção pra cada tipo de filme, do que pela nacionalidade do diretor ou endereço da produtora. Em tempos globalizados, e nos raros casos em que orçamentos e prazos não influem na escolha artística, é natural que ela não se restrinja a limites geográficos. Mas, para além dessa discussão, vale muito ver o filme que, assim como cachorro-peixe, eleva o nível dos filmes que a gente vê na TV do Brasil.
Ah, já ia esquecendo: a trilha, que é elemento narrativo fundamental nesse filme, foi feita no Brasil e ficou sensacional…
direção Luciano Podcaminsky, fotografia Marcelo Camorino, produção Rebolucion, trilha Tentáculo, criação AlmapBBDO
direção Armando Bo, fotografia Cristian Cottet, produção Rebolucion, trilha Hilton Haw, criação AlmapBBDO
Vou aproveitar o assunto de um post anterior do “filme da semana”, sobre o filme “Fábrica” de Ford Focus, comercial brilhante com trilha feita em cima do pop americano. Desde então vários filmes tem contribuído pra enxurrada de comerciais com trilha em inglês. E a gente acaba passando o dia cantando “should I stay or should I go” no trânsito, “that’s the way ahã ahã I like it” no banho, ” “only youuuuuuu” em cima do fogão… Não sei se o fato da imensa maioria da população não falar inglês muda alguma coisa, porque no final a “vibe” da música também ajuda no entedimento do filme. Pensando nisso lembrei de um filme feito pra um cliente que não queria letra na trilha, com medo das pessoas prestarem mais atenção na letra do que no filme. Propusemos então que a letra fosse em inglês, porque o filme era melancólico, emocional, queríamos uma voz que desse esse tom. Mas eles não queriam significado na música, nem em inglês. Bom, então chegou o maestro, Zezinho Mutarelli, da SaxSoFunny. “Deixa comigo”. Como assim, o que você vai fazer? Uns dias depois ele volta com a música. “O filme não é sobre anjos?” É. ” Então a letra é em angês. Soa inglês, mas ninguém entende. É angês!”. Gênio, o Zezinho.
trilha SaxSofunny, direção Lô Politi, fotografia Ralph Strelow, arte Marcelo Scañuela, produção Maria Bonita, criação Lew,Lara
Ué? Filme da semana? Mas o filme é velho! Já tem quase um ano! Pois é. Mas o fato é que não tem nenhum filme que se destaque essa semana. Mas tem um fenômeno que se destaca, que venho observando há tempos. E esse filme de Ford Focus ilustra perfeitamente o conceito. Já repararam a quantidade de comerciais na TV com trilha baseada no pop americano? Às vezes é uma música bem conhecida, como nesse caso (Happy Toghether, The Turtles), às vezes é uma música composta sobre essa referência, pra sair mais em conta. Mas tudo que é filme hoje em dia vem com uma musiquinha pop cantada em inglês. Houve um tempo que a moda era música brasileira (Rider!), outro tempo em que era tudo só instrumental, outro em que ninguém queria muita interferência de música e pedia-se ao trilheiro uma “caminha” musical, palavra que ofende os maestros quase tanto quanto “trilheiro”… Mas eis que a alegria do pop americano começou a dominar as trilhas. O que realmente agregou alegria e certa velocidade aos filmes, mas corre o risco de deixar tudo muito parecido, como é da natureza da moda: ótimo quando é novidade, funcional quando é tendência e aborrecido quando é lugar-comum. E já que essa semana tá fraquinha de novidades, vamos lembrar desse comercial onde a trilha, pop, cantada em inglês e com essa levadinha leve, é extremamente pertinente e apropriada ao filme. Uma história bem contada onde a trilha auxilia e dá colorido à narrativa. Aliás, o filme deriva da trilha e a trilha é parte do filme. Um achado.
direção Claudio Borrelli, fotografia Ted Abel, maestro Zezinho Mutarelli, som Saxsofunny, produção Killers, criação JWT
Mais um filme emocional com crianças dirigido pelo Alex Gabassi. É curioso como o mercado etiqueta um diretor quando ele acerta a mão em determinado tipo de filme. Antes crianças deveriam ser sempre dirigidas por Julio Xavier. Depois por Ricardo Carvalho, o Gordo. Agora é com o Alex Gabassi. Com evidente talento pra direção de atores e filmes emocionais (entre eles a premiadíssima campanha de Banco Real com clientes de verdade), desde a campanha de Fiat 50 anos, o Alex vem fazendo sucessivos filmes com crianças, muito naturais, muito acertados. Esse é mais um. Vem na sequência dos simpaticíssimos filmes de Unibanco onde as crianças estão incrivelmente naturais. Mas, para além da atuação das crianças, são filmes muito bons, muito bem dirigidos. Posto aqui os 3 – Sadia, que acabou de sair, e os 2 de Unibanco, “Busca” e “Escondido”.
Tenho uma implicância com quem comenta que o ator tal é muito bom, portanto o filme ficou ótimo. Atores bons ou potencialmente bons dependem de um bom diretor que saiba explorá-los, que sejam sensíveis às suas possibilidades. Principalmente em se tratando de crianças. E o Alex está deixando sua marca nos filmes emocionais, humanos, sensíveis. Com criança ou não. Pra demostrar, posto por último um exemplo de direção dele muito sensível e precisa que não é nem com ator adulto nem com ator criança. É com ator cachorro!
direção Alex Gabassi, fotografia Lito , produção O2, criação DPZ
direção Alex Gabassi, fotografia Lito, produção O2, criação F/Nasca S&S
direção Alex Gabassi, fotografia Marcelo Trotta, arte Marcelo Scañuela, produção O2, criação Y&R
Campanha de lançamento de carro com 2 filmes totalmente diferentes, de produtoras e diretores diferentes. O que é raro – normalmente o cliente tenta empacotar os filmes de uma campanha, mesmo que eles tenham características tão diferentes que a escolha de um mesmo diretor corra o risco de ser no mínimo 50% equivocada. Não nesse caso. O filme focado no usuário foi dirigido por um excelente diretor de atores, o Clovis Melo, da Cine. E o outro, do que quero falar, focado na performance do carro e no conceito de “urbano” da campanha, foi feito pelo Mateus de Paula Santos e pelo Nando Cohen, da Vetor Zero/Lobo, mestres da computação gráfica. O Mateus é talvez o mais reconhecido motion designer do Brasil. Premiadíssimo, foi new director do showcase da Saatchi & Saatchi em Cannes, com o deslumbrante trabalho pra Diesel e é um diretor que deixa marca na computação gráfica, não apenas no “traço”, marca do designer, mas também na linguagem e narrativa, marcas do diretor. E fez com o Nando um filme que, além de muito bonito, tem o mérito de ser diferente numa categoria onde já vimos de tudo – há milênios carros são filmados em performance de todas as formas, em todas as partes do mundo. Acaba sendo uma categoria onde todo mundo copia todo mundo e raramente se vê algo diferente.
Pois o filme é diferente, moderno, bonito. Enche os olhos.
direção Matheus de Paula Santos e Nando Cohen, fotografia Lito, produção Vetor Zero/Lobo, criação Fischer+Fala!
Esse filme de TIM já parte de uma boa idéia – incluir os padastros nas homenagens aos pais. Além disso, a realização aqui faz toda a diferença. Linguagem emocional, timing de cinema, tempo pras cenas se desenvolverem. A curiosidade é que o filme foi feito com a Canon Mark II, câmera fotográfica que grava video full HD com qualidade impressionante e que pode viabilizar projetos como esse, que se fosse filmado em 35mm teria tanta restrição orçamentária que talvez não chegasse a esse resultado.
Bacana também é a escolha do menino, que não é a óbvia escolha do menino bonito e fofo pelo qual uma marca gosta de se sentir representada. É um menino fora do padrão, como tantos que a gente conhece e gosta e pelo qual a gente gosta de se sentir representado.
direção Mauricio Guimarães e Luciano Zuffo, fotografia Ruda, produção Sentimental, criação McCann Erickson
Só pra matar possíveis curiosidades seguem dua fotos da CANON EOS MARK II, uma peladinha e outra “montada” pra filmar.

