Textos categorizados 'Jonas e a Baleia'

Jonas e a Baleia – terceiro tratamento do roteiro

Terminei o terceiro tratamento do roteiro de Jonas e a Baleia. Queria diminuir (em relação ao segundo, feito pelo meu parceiro Élcio Verçosa) o número de páginas e tempo da ação. Quanto ao número de páginas, recebi com 153 e estou entregando com 129. Ainda acho grande, mas desconfio que seja porque ainda é muito descritivo, literário. Fico na dúvida de tirar completamente essas descrições, que fazem entender o universo dos personagens e a natureza das relações entre eles. Esse é um filme de emoções intensas que levam a um desfecho trágico. Se quem lê não entende o que em outro caso seriam as entrelinhas do roteiro, não entenderá o que leva ao desfecho do filme. A ação é desencadeada por um acidente ambíguo que se desdobra numa tragédia de erros. Como se restringir a descrever uma ação fria num filme que fala de confiança e traição, amor e ilusão, da dor de uma criança que trai o irmão pra protegê-lo, de uma adolescente inteligente e bem formada que se expõe ao perigo pra preencher o vazio de sua vida e, principalmente, de um garoto cuja beleza e carisma fazem dele um príncipe deslocado em seu mundo, mas não lhe dá acesso ao mundo com o qual ele sonha? Enfim, sofri com esse dilema nas últimas 2 semanas, debruçada sobre o roteiro dia e noite. Resolvi manter as descrições emocionais e psicológicas, mas economizar nas descrições de ação propriamente dita, agora mais enxutas e objetivas. Acho que o resultado está ficando bem bom. Mas ainda gostaria de diminuir mais algumas páginas, pra que seja mais fácil de ler o roteiro. Missão essa que devolvo agora pro meu parceiro Élcio, que revisará o terceiro tratamento ou fará o que espero que seja o quarto e último, dessa fase. Os próximos passos agora são terminar o orçamento a partir da análise técnica que foi feita já com o segundo tratamento, colocar na lei, nos editais, captar, polir o roteiro e filmar. Hahaha. Assim fácil.

roteiro dividido por dias da semana no tempo da ação

roteiro dividido por dias da semana no tempo da ação

Sala de Roteiro para Jonas e a Baleia

Jonas e a Baleia ganhou uma sala de roteiro na Maria Bonita. Acabamos de passar por uma fase de discussões intensas sobre cada cena, o encadeamento e a real necessidade de cada uma delas. Resolvemos então pendurar na parede todo o roteiro dividido por cenas, além fazer um board com quadradinhos contendo o resumo de cada uma e um outro com a ação dividida por dia da semana, dentro do tempo físico em que se desenvolve a nossa história (o filme se passa em 11 dias). Com isso ganhamos um espaço que permite o silêncio necessário pra quem escreve e a privacidade necessária pra quem discute. Nesses dias tenho sido a única ocupante da sala, já que a bola nesse momento está comigo. Recebi do Élcio (Verçosa Filho) o segundo tratamento do roteiro, fiz um revisão cuidadosa e discuti com ele cada cena. Agora está na minha mão a difícil missão de reescrever o texto e cortar uns 20% da ação e, no mínimo, umas 30 páginas. O segundo tratamento veio com 153 páginas, na revisão eu já tirei 11 e nesse terceiro tratamento pretendo diminuir mais 20, pelo menos. Difícil missão… Tentarei ser menos literária que o Élcio, que escreve imensamente bem e usa esse talento pra descrever, misturado à ação, as sensações, sentimentos e emoções de personagens que falam pouco mas sentem muito. Sinto que esse trabalho, nessa fase, serviu mais a nós, roteiristas, e a mim, diretora, do que ao roteiro propriamente – pra que entendamos exatamente o universo dos personagens e do filme que estamos desenvolvendo. Agora que demos essa volta, tão proveitosa pras nossas funções, vou tentar restringir ao roteiro o que é do roteiro.

quadradinhos no board

quadradinhos no board


o roteiro todo do outro lado

o roteiro todo do outro lado


sozinha

sozinha


com o Élcio

com o Élcio

Jonas e a Baleia – Rumo ao segundo tratamento

O primeiro tratamento do roteiro de Jonas e a Baleia ficou bom. Ainda falta muito, mas ficou bom. A conclusão que chegamos é que a estrutura está toda pronta, a ação determinada. Com essa cama pronta, falta agora aprofundar o filme, ganhar musculatura espiritual, como diz o Elcio, ou qualidade emocional, como digo eu. De qualquer jeito faltam os silêncios, os espaços, o desenvolvimento e aprofundamento da relação entre os personagens. A sintonia fina dos sentimentos.
Era esse mesmo o plano – ter um desenho da ação bem determinado, sólido, pra que a gente não duvide da história, do estabelecimento, e acredite naquela situação. Agora, próximo passo, é fazer com que a gente acredite naqueles personagens que estão naquela situação. Durante o mês de agosto o Elcio fica exclusivamente dedicado ao roteiro. Eu vou lendo e comentando conforme ele for escrevendo, pra que os comentários sejam incorporados ao roteiro antes dele ser fechado.
Quando cada cena, ou sequência, ou ato, estiverem prontos, ponho eu mesma a mão na massa pra transformar aquelas palavras em palavras mais precisas pra o filme que eu quero filmar. Me parece um bom método. Vamos vendo.

Jonas e a Baleia – Momentos que antecedem a leitura do primeiro tratamento

Acabo de receber o primeiro tratamento de Jonas e Baleia, escrito pelo Elcio Verçosa. Até agora vínhamos trabalhando em cima de uma sequência de escaletas, já quase realmente um roteiro, apenas sem os diálogos. A última escaleta já tinha quase 100 páginas. Agora, enquanto escrevo, escuto a impressora se esforçar pra imprimir 144 páginas. 

Fizemos inúmeras reuniões que duravam, cada uma, cerca de inacreditáveis 8 horas seguidas, pra meu desespero, que sofro de rodinhas nos pés. Mas a cada versão da escaleta chegávamos mais perto do que é o filme que pretendo fazer. 

É preciso ter fé e resistência pra ver um roteirista convidado desenvolver a sua história, pro filme que você vai dirigir. Ainda mais quando o argumento é original e saiu das suas entranhas e pelas suas mãozinhas. É um tremendo exercício de desprendimento, cada reunião esgota tanto que parece uma luta. Mas é a maior delícia do mundo perceber que alguém incorporou a sua história. E desenvolveu.  E melhorou. 

Nas nossas reuniões tínhamos que defender à exaustão nossos pontos de vista, nossas idéias, nossa visão do filme. Foi dificílimo pra mim, a história nasceu e se desenvolveu na minha cabeça, era muito difícil acreditar que alguém, ainda por cima tão diferente de mim, pudesse compreender aquele universo tão específico que é um filme imaginado dentro da nossa cabeça. 

Mas fomos em frente, com todos os riscos que sabíamos estar correndo.

Chegou a primeira escaleta. Era um excelente filme. Mas não o meu filme. Não o filme que eu queria fazer.

Lemos juntos, discutimos, quase brigamos. Mas chegamos, depois de sangue, suor e lágrimas, num lugar comum. Se o processo não teve literalmente esses três elementos,  era exatamente sobre o significado deles no nosso filme que discutíamos exaustivamente. Não poderia ser  fácil…

Veio a segunda escaleta. Dormiu no meu criado mudo por dias, antes que eu tivesse coragem de ler.  Tinha certeza que não gostaria. Ou pior, que gostaria do roteiro porque o Elcio escreve inacreditavelmente bem, mas que não seria o roteiro do filme que eu gostaria de fazer. Como dizer isso a ele, depois de tanto trabalho? 

Um dia tomei coragem e li… Adorei. No final nossas diferenças serviram pra enriquecer a história, tornar os personagens mais interessantes, profundos, ricos. Ainda divergimos em alguns pontos, mas foi com um prazer enorme que eu cedi em várias das minhas crenças e ele reviu grande parte das dele. Somos os dois teimosos e alguns pontos ainda serão um embate, mas desconfio que isso seja uma estratégia involuntária dos dois pra manter  a tensão de um roteiro em desenvolvimento, melhorando a cada versão.

Bem, já está impresso o primeiro tratamento que acabo de receber, feito em cima  da escaleta sobre a qual estamos concordes. Dessa vez não dormirá um dia sequer sobre meu criado mudo.

Jonas e a Baleia

jonas teste capa
estacionamento2
o estacionamento
concentracao


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Blog pra falar (originalmente) de cinema, tv e publicidade. Mas agora tem também crônicas, viagens e aleatórios...

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