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Filme da Semana – La Fortuna – Saveiro VW

Mais um filme de VW da Almap feito pela Rebolucion, produtora argentina que já tinha produzido “cachorro-peixe”, pra mesma agência e pro mesmo cliente – único leão de ouro do Brasil em Cannes esse ano. Só isso já justificaria repetir a dobradinha… Mas duro vai ser aguentar o chororô das produtoras brasileiras, que não gostam de ver um filme grande de uma agência bacana ser produzido fora, muito menos com produtora argentina! Bem, choremos então. O filme é lindo, o diretor é excelente, e as locacões… bem, as locações são no Uruguay. O que realmente nos deveria doer é o fato do Uruguay não estar para São Paulo como está para Buenos aires- do outro lado do rio. Colonia do Sacramento, por exemplo, onde foi feito esse filme, é uma pérola tombada pelo patrimônio histórico que fica do outro lado do Rio da Prata, por onde se chega em 1 hora de barco! Francamente…
Filmar no Uruguay tem sido a escolha de dezenas de diretores da Argentina, do Brasil e do mundo inteiro. Está se formando ali um esquema de production services em grande escala pra atender essa demanda e o país está se tornando o grande estúdio a céu aberto da América do Sul. Esse filme, de narrativa e cinematografia épica, dificilmente teria resultado tão bom se fosse filmado no Brasil.
Agora, será que ficaria tão bom se fosse feito por diretor e produtora brasileira? Provavelmente sim. Como, aliás, vários dos filmes anteriores da mesma agência e do mesmo cliente, inclusive filmados também no Uruguay.
Quero crer que essas escolhas são feitas mais por afinidades específicas entre criação, direção e produção pra cada tipo de filme, do que pela nacionalidade do diretor ou endereço da produtora. Em tempos globalizados, e nos raros casos em que orçamentos e prazos não influem na escolha artística, é natural que ela não se restrinja a limites geográficos. Mas, para além dessa discussão, vale muito ver o filme que, assim como cachorro-peixe, eleva o nível dos filmes que a gente vê na TV do Brasil.
Ah, já ia esquecendo: a trilha, que é elemento narrativo fundamental nesse filme, foi feita no Brasil e ficou sensacional…

direção Luciano Podcaminsky, fotografia Marcelo Camorino, produção Rebolucion, trilha Tentáculo, criação AlmapBBDO

direção Armando Bo, fotografia Cristian Cottet, produção Rebolucion, trilha Hilton Haw, criação AlmapBBDO

Filme da Semana – Ford Focus – Fábrica

Ué? Filme da semana? Mas o filme é velho! Já tem quase um ano! Pois é. Mas o fato é que não tem nenhum filme que se destaque essa semana. Mas tem um fenômeno que se destaca, que venho observando há tempos. E esse filme de Ford Focus ilustra perfeitamente o conceito. Já repararam a quantidade de comerciais na TV com trilha baseada no pop americano? Às vezes é uma música bem conhecida, como nesse caso (Happy Toghether, The Turtles), às vezes é uma música composta sobre essa referência, pra sair mais em conta. Mas tudo que é filme hoje em dia vem com uma musiquinha pop cantada em inglês. Houve um tempo que a moda era música brasileira (Rider!), outro tempo em que era tudo só instrumental, outro em que ninguém queria muita interferência de música e pedia-se ao trilheiro uma “caminha” musical, palavra que ofende os maestros quase tanto quanto “trilheiro”… Mas eis que a alegria do pop americano começou a dominar as trilhas. O que realmente agregou alegria e certa velocidade aos filmes, mas corre o risco de deixar tudo muito parecido, como é da natureza da moda: ótimo quando é novidade, funcional quando é tendência e aborrecido quando é lugar-comum. E já que essa semana tá fraquinha de novidades, vamos lembrar desse comercial onde a trilha, pop, cantada em inglês e com essa levadinha leve, é extremamente pertinente e apropriada ao filme. Uma história bem contada onde a trilha auxilia e dá colorido à narrativa. Aliás, o filme deriva da trilha e a trilha é parte do filme. Um achado.

direção Claudio Borrelli, fotografia Ted Abel, maestro Zezinho Mutarelli, som Saxsofunny, produção Killers, criação JWT

Filme da Semana – Sadia – Famílias

Mais um filme emocional com crianças dirigido pelo Alex Gabassi. É curioso como o mercado etiqueta um diretor quando ele acerta a mão em determinado tipo de filme. Antes crianças deveriam ser sempre dirigidas por Julio Xavier. Depois por Ricardo Carvalho, o Gordo. Agora é com o Alex Gabassi. Com evidente talento pra direção de atores e filmes emocionais (entre eles a premiadíssima campanha de Banco Real com clientes de verdade), desde a campanha de Fiat 50 anos, o Alex vem fazendo sucessivos filmes com crianças, muito naturais, muito acertados. Esse é mais um. Vem na sequência dos simpaticíssimos filmes de Unibanco onde as crianças estão incrivelmente naturais. Mas, para além da atuação das crianças, são filmes muito bons, muito bem dirigidos. Posto aqui os 3 – Sadia, que acabou de sair, e os 2 de Unibanco, “Busca” e “Escondido”.
Tenho uma implicância com quem comenta que o ator tal é muito bom, portanto o filme ficou ótimo. Atores bons ou potencialmente bons dependem de um bom diretor que saiba explorá-los, que sejam sensíveis às suas possibilidades. Principalmente em se tratando de crianças. E o Alex está deixando sua marca nos filmes emocionais, humanos, sensíveis. Com criança ou não. Pra demostrar, posto por último um exemplo de direção dele muito sensível e precisa que não é nem com ator adulto nem com ator criança. É com ator cachorro!

direção Alex Gabassi, fotografia Lito , produção O2, criação DPZ


direção Alex Gabassi, fotografia Lito, produção O2, criação F/Nasca S&S

direção Alex Gabassi, fotografia Marcelo Trotta, arte Marcelo Scañuela, produção O2, criação Y&R

Diretores brasileiros, tremei?

O assunto da semana entre as produtoras de publicidade é a chegada no Brasil de produtoras estrangeiras ou diretores estrangeiros representados por produtoras brasileiras ou internacionais, pra filmar no Brasil pra agências brasileiras. Ui. Eu acho que não há porque se preocupar. O Brasil já tem uma reserva natural nesse mercado, também conhecida pelos nomes de prazo, verba ou cliente inseguro. Ou alguém acha que diretores internacionais como, digamos, os Vickings, o Michael Gondry o irmão do Michel Gondry, o Armando Bo, vão se submeter aos prazos e verbas que estão sendo praticados ultimamente? E vão estar disponíveis pra fazer 50 reuniões e 90 versões pra deixar o cliente seguro? Claro que não. O que vai acontecer é que algumas raríssimas exceções em que o filme tiver tempo e verba e o nome do diretor compensar a distância dele durante o processo fora das filmagens (que, todos sabemos, é loooongo), aí sim, um ou outro filme será dirigido por diretor estrangeiro. O que não apenas não representa ameaça alguma, como também ajuda a reciclar o mercado e nivelar por cima. Além do que obriga agência e cliente a se comportarem com maior organização e até a escutarem alguns “nãos” que as produtoras brasileiras não tem coragem de falar com medo de perder o cliente do dia a dia, de todos os dias. Cachorro-peixe por exemplo, da Almap, dirigido pelo inacreditavelmente bom Armando Bo, ganhou todos os prêmios merecidos pela criação e direção impecáveis que teve. Teria ficado igualmente bom se fosse dirigido por um dos melhores diretores do Brasil que, aliás, fazem quase todos os filmes da Almap? Talvez. Mas também é muito bom ver um filme do Armando Bo no intervalo do Fantástico. Isso quer dizer que a Almap vai deixar de fazer filmes com o Manga, o Borrelli, o Meirelles, o Pedro Becker? Não vai. Aliás, já não deixou. Depois de cachorro-peixe muitos e ótimos filmes da Almap foram feitos por diretores brasileiros. Ao mesmo tempo a agência é uma das principais incentivadoras das produtoras que estão vindo com representação ou filial no Brasil. Bom, teremos mais cachorros-peixes. Graças a Deus.

Filme da Semana – Honda City – Palavras

Campanha de lançamento de carro com 2 filmes totalmente diferentes, de produtoras e diretores diferentes. O que é raro – normalmente o cliente tenta empacotar os filmes de uma campanha, mesmo que eles tenham características tão diferentes que a escolha de um mesmo diretor corra o risco de ser no mínimo 50% equivocada. Não nesse caso. O filme focado no usuário foi dirigido por um excelente diretor de atores, o Clovis Melo, da Cine. E o outro, do que quero falar, focado na performance do carro e no conceito de “urbano” da campanha, foi feito pelo Mateus de Paula Santos e pelo Nando Cohen, da Vetor Zero/Lobo, mestres da computação gráfica. O Mateus é talvez o mais reconhecido motion designer do Brasil. Premiadíssimo, foi new director do showcase da Saatchi & Saatchi em Cannes, com o deslumbrante trabalho pra Diesel e é um diretor que deixa marca na computação gráfica, não apenas no “traço”, marca do designer, mas também na linguagem e narrativa, marcas do diretor. E fez com o Nando um filme que, além de muito bonito, tem o mérito de ser diferente numa categoria onde já vimos de tudo – há milênios carros são filmados em performance de todas as formas, em todas as partes do mundo. Acaba sendo uma categoria onde todo mundo copia todo mundo e raramente se vê algo diferente.
Pois o filme é diferente, moderno, bonito. Enche os olhos.

direção Matheus de Paula Santos e Nando Cohen, fotografia Lito, produção Vetor Zero/Lobo, criação Fischer+Fala!

Filme da Semana – Dia do Padrasto

Esse filme de TIM já parte de uma boa idéia – incluir os padastros nas homenagens aos pais. Além disso, a realização aqui faz toda a diferença. Linguagem emocional, timing de cinema, tempo pras cenas se desenvolverem. A curiosidade é que o filme foi feito com a Canon Mark II, câmera fotográfica que grava video full HD com qualidade impressionante e que pode viabilizar projetos como esse, que se fosse filmado em 35mm teria tanta restrição orçamentária que talvez não chegasse a esse resultado.
Bacana também é a escolha do menino, que não é a óbvia escolha do menino bonito e fofo pelo qual uma marca gosta de se sentir representada. É um menino fora do padrão, como tantos que a gente conhece e gosta e pelo qual a gente gosta de se sentir representado.

direção Mauricio Guimarães e Luciano Zuffo, fotografia Ruda, produção Sentimental, criação McCann Erickson

Só pra matar possíveis curiosidades seguem dua fotos da CANON EOS MARK II, uma peladinha e outra “montada” pra filmar.

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FIlme da Semana – Dança do Entope

Quarto filme da série de filmes de Tigre com dancinhas dirigido pela Sylvia Sendacz. Os filmes são engraçadíssimos – são tão raros na TV os comerciais com uma estética diferenciada, atores fora do padrão, humor sutil sobre concepção exagerada ( clipe coreografado!!! ). É o tipo de roteiro que se tivesse um único erro de direção teria ficado constrangedor. E, ao contrário, com a mão certa, virou um filmão.
Vou postar os 4 filmes, porque vale a pena ver a campanha toda.



direção Sylvia Sendacz, fotografia Ralph Strelow, arte Clô Azevedo, produção Pródigo, criação Talent

Filme da semana – Inhotim

Fime impressionante dirigido pelo Manguinha, além da indiscutível qualidade estética, cinematográfica, narrativa, etc, comuns nos filmes do Manga, fiquei muitíssimo impressionada com o fato de tamanha produção ter sido feita pra chamar atençao sobre um museu. Em um mercado acostumado a pedir favor pra produzir filmes culturais ou sociais, onde todo mundo se esforça pra trabalhar de graça ou quase pra filmes pra museus, entidades filantrópicas, projetos sociais, etc, um filme desse tamanho e com essa qualidade feito pra um museu é fato inédito no Brasil.

direção Manguinha, fotografia Lito, arte Reginato, produção Zeppelin, criação Filadélfia

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Lô Politi

Blog pra falar (originalmente) de cinema, tv e publicidade. Mas agora tem também crônicas, viagens e aleatórios...

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