Adoro filme de carro sem performance. Os lançamentos de carro que mostram gente bacana em paisagens lindíssimas, e só, são pra mim o anti-clímax da propaganda. Filmes caríssimos, produções hollywoodianas, filmagens internacionais, a busca incansável por uma paisagem diferente, inédita. E o que se consegue? Mais do mesmo. Por isso sempre gosto quando um filme de carro não mostra performance, porque aí não há como se prescindir de uma ideia. Claro que muitas vezes um filme tem, além da performance, uma boa idéia. Mas quantas vezes o filme só tem performance, é lindo e tal, mas não tem idéia nenhuma? Já quando não tem performance (talvez por questões orçamentárias…), cria-se a cama pra uma boa ideia. E esse filme novo de Fox (são três, mas esse, “Velhinhos”, é de longe o melhor), tem uma ideia ótima e o carro está lá bem quietinho, paradinho na sala da casa dos velhinhos. O filme é simples, quase espartano, mostra-se do carro o mínimo necessário pra ajudar a contar a história do filme. Plano frontal do carro, o câmbio, o painel, cenas que fazem parte da piada do filme e ajudam a contar a história. Essa é sem dúvida a melhor maneira de se mostrar um produto – quando a cena é pertinente ao roteiro, faz parte da história. E tem uma ótima atuação dos velhinhos, especialmente da velhinha (o que é aquele olhar dela em “resposta” à pergunta do velhinho!) a serviço do humor. Simples, direto, espartano. E, falou em humor, simples, direto, espartano, falou em Caíto Ortiz. Quem conhece o Caíto já entende exatamente porque seus filmes são como são: todo mundo gosta, todo mundo ri com ele, todo mundo se sente à vontade.
Caíto apareceu com os deliciosos filmes da Talent pra Semp Toshiba. Daí pra frente o mercado começou a a ver nele um diretor que trabalha com humor solto, espontãneo, que faz filmes simples, com a piada baseada no roteiro, nos atores, sem grandes pirotecnias, sem precisar de uma grande produção pra contar uma boa historia e, principalemente, pra contar uma boa piada. Suponho que pras agências tenha sido um achado: um cara que é de trato facílimo, avesso a qualquer estrelismo, que dá pro filme o que o filme precisa e mais o talento dele à serviço da história. Sem firulas, sem exageros, sem desperdício. Uma piada bem contada, mesmo num filme de carro, nem sempre precisa de um orçamento gigante. Mas precisa de um diretor que faça o filme crescer. E um bom diretor, muitas vezes, vale mais que um bom orçamento.
Vou postar o Novo Fox dos velhinhos mas, pra lembrar quem é o grande Caíto, vou postar também o filme de Semp Toshiba que eu mais adoro entre os vários que ele fez, “Espanto”.
direção Caíto Ortiz e Andre Godoi, fotografia Marcelo Trotta, arte Marcelo Escañuela, produção Prodigo Films, criação AlmapBBDO
direção Caíto Ortiz, produção Prodigo FIlms, criação Talent
